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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

INCIDENTE FATAL: POLICIAL CIVIL É MORTO POR PM

ZERO HORA 09 de dezembro de 2013 | N° 17639

BRUNA VARGAS E LETÍCIA COSTA

Sargento da Brigada Militar teria disparado acidentalmente após se desentender com familiares de um suspeito de homicídio



Vítima de um tiro acidental disparado por um policial militar em frente ao hospital de Alvorada, na Região Metropolitana, o agente civil Marcos Kaefer, 43 anos, morreu enquanto tentava prender o suspeito de um homicídio na Capital. O agente do setor de investigação é membro da mesma delegacia que há uma semana teve um integrante baleado e morto em uma tentativa de assalto no bairro Santo Antônio, na Capital.

Com as duas baixas, a Delegacia de Capturas do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) está consternada. A morte de Kaefer, na madrugada de ontem, aconteceu enquanto a Polícia Civil ainda procura pelo autor dos três disparos que, há uma semana, acertaram Carlos Heitor Bossler, 58 anos. Bossler estava próximo a sua casa quando viu dois homens armados tentando levar o carro de um estudante. Ao reagir e trocar tiros com os bandidos, foi baleado e morreu na terça-feira passada.

Já Marcos Kaefer, chamado de Marquinhos pelos colegas, morreu ao tentar encontrar e prender o suspeito de ter assassinado, horas antes, um de seus informantes, na nova Vila Dique, zona leste de Porto Alegre.

– Ele recebeu a informação da morte de um colaborador de muitos anos e foi até o local com um colega. Lá, ficaram sabendo que um dos possíveis autores do crime estava dando entrada no hospital de Alvorada e foram até o hospital, para prender o suspeito. No hospital, aconteceu essa fatalidade de o PM disparar acidentalmente e acertar o Marcos – explica o diretor do Deic, delegado Guilherme Wondracek.

Conforme o chefe de Marquinhos, delegado Eduardo de Oliveira César, o policial militar era conhecido do policial civil, e o fato foi um acidente. Ao dar uma coronhada no irmão do suspeito de matar Bolinha, o PM, um sargento que trabalha no Presídio Central, disparou a arma particular. O tiro atingiu as costas de Marquinhos e o PM fugiu do local.

Vítima investigava matadores de colega

Há 13 anos na Polícia Civil, Kaefer era casado e não tinha filhos. No começo de 2014, completaria três anos que havia retornado para a Delegacia de Capturas, depois de ter passado pela Homicídios. Querido pelos colegas, Marquinhos ajudava na investigação sobre a morte de Bossler.

– Era superdedicado. Realizou várias prisões. Tínhamos só elogios – disse, emocionado, o delegado César.

Na noite de ontem, colegas e familiares homenagearam o policial civil em cerimônia no Crematório Metropolitano. A investigação da morte de Marquinhos ficou a cargo da 1ª Delegacia da Polícia Civil de Alvorada.

– É um fato, sob todos os aspectos, lamentável. Não queremos que isso gere qualquer atrito institucional, mas, infelizmente, ocorreu o incidente – declarou o chefe da Polícia Civil, Ranolfo Vieira Júnior.


Delegado apura calibre da arma usada no crime

Assumida em depoimento, a autoria do disparo que matou o policial civil Marcos Kaefer, 43 anos, já está esclarecida, segundo o titular da 1ª Delegacia de Alvorada, delegado Maurício Barison Barcellos. O policial militar, que fugiu do local após o disparo, se apresentou na tarde de ontem. O delegado não quis informar o nome completo do PM – Barcellos disse apenas que o primeiro nome do sargento é Sandro. Ele também teria contato com Bolinha e, por isso, estava no hospital, atrás de informações sobre a morte do informante.

– Ele nos relatou que a arma disparou quando ele estava abordando um indivíduo no local (hospital). A pessoa teria feito um movimento brusco e acionou o gatilho acidentalmente. Disse que fugiu do local porque ficou desesperado, não sabia o que fazer – relata o delegado.

Agora, a dúvida da investigação está relacionada ao calibre da pistola usada pelo PM no dia de folga. Na frente do hospital, a polícia recolheu um estojo de calibre 9 milímetros (de uso restrito das Forças Armadas) e, no depoimento, o sargento entregou uma pistola calibre 380. Como a bala que matou o policial civil atravessou o corpo e não foi encontrada no local, só a perícia poderá esclarecer esta questão:

– Vamos mandar para a perícia para ver se aquele estojo de calibre 9 milímetros pode ter sido disparado pela pistola que ele apresentou.

Para concluir o inquérito, o delegado de Alvorada ainda deverá ouvir outros depoimentos, como o do suspeito de matar Bolinha.








Coincidência



Duas baixas na Delegacia de Capturas em menos de uma semana

Marcos Kaefer - Aos 43 anos, era policial civil havia 13 anos. Depois de trabalhar na Delegacia de Homicídios, havia retornado à Delegacia de Capturas, subordinada ao Deic. Querido pelos colegas, Marquinhos ajudava na investigação sobre a morte do colega Carlos Heitor Bossler (ao lado), morto após evitar um assalto. Era casado e não tinha filhos.

Carlos Heitor Bossler - Aos 58 anos, estava havia 25 anos na polícia e era do tipo “linha de frente”. O investigador tinha três filhas.


DISCUSSÃO E MORTE

- Por volta das 21h30min de sábado, Luciano Cardoso, o Bolinha, foi assassinado na nova Vila Dique, na zona leste de Porto Alegre.
- Ele seria informante das polícias Militar e Civil.
- Ao saber da morte, o policial civil Marcos Kaefer, 43 anos, e um colega foram até a Vila Dique.
- No local, receberam ligação de sargento da BM informando que o suspeito de ter matado Bolinha estaria no no Hospital de Alvorada.
- Policiais civis e militares se encontraram na frente do hospital na tentativa de prender o suspeito, um homem de 19 anos. Familiares deles, porém, se desentenderam com o sargento da BM. Ao tentar contê-lo, o PM, que estava de folga, teria atirado acidentalmente.
- O disparo acertou as costas de Kaefer, que morreu na frente do hospital por volta das 2h de ontem. O projetil atravessou o corpo da vítima.No local, a polícia encontrou um estojo de um projetil calibre 9 milímetros – munição de uso restrito das Forças Armadas.
- Ao se apresentar à polícia, na tarde de ontem, o sargento assumiu a autoria do disparo e entregou uma pistola particular, calibre .380, que tinha autorização para usar.
- A investigação considera que o disparo foi acidental, mas quer esclarecer, por meio da perícia, qual arma foi usada no crime, já que a 9 milímetros é proibida.
- O suspeito da morte de Bolinha foi preso em flagrante e transferido ao Hospital Cristo Redentor.