ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

NO LADO ERRADO

ZERO HORA 13 de julho de 2012 | N° 17129

Relação de policial e traficante é investigada

GIOVANI GRIZZOTI - RBS TV

Uma investigação do Ministério Público Estadual flagrou as relações suspeitas entre um traficante e um policial civil.

Gravações telefônicas feitas com autorização da Justiça revelam que os dois tratavam o comércio de drogas como um negócio. Até a conta do celular do policial seria bancada pelo criminoso.

Durante três meses, a equipe do MP investigou o tráfico de drogas em Alvorada, na Região Metropolitana. No dia 5, o policial José Carlos Leal foi preso temporariamente, por 30 dias. O traficante Jonas Oliveira foi preso em flagrante. Em uma das conversa gravadas, Leal alerta o traficante para uma batida da Brigada Militar:

Leal – A Brigada tá na volta aí...

Oliveira – Tá, não, beleza. Pode crer, meu querido, Deus o livre.

De acordo com o MP, há indícios de que a droga vendida pelo traficante seria fornecida pelo policial, conforme trecho de uma gravação:

Leal – Mas aquela que eu te passei (droga) era boazinha, era?

Oliveira – É... Foi tudo já!

Leal – Tá beleza, bom saber.

Ainda de acordo com a investigação, parte da droga seria entregue com uma viatura da polícia:

Leal – Te acordei? Eu precisava falar contigo agora aí na esquina aí...

Oliveira – É?

Leal – Vai ali? Eu vou com a preto e branco (viatura)... Agora tudo tranquilo, né? Eu e tu... Negócio que eu tenho que te dar aí.

Em uma das conversas, o policial aproveita para pedir ao criminoso que coloque créditos no celular:

Leal – Se quiser botar um crédito nesse telefone aí pra mim te ligar porque eu tô sem crédito, não tenho como botar. Uns oito ou 10 pila, aí.

Oliveira – Amanhã eu boto pra ti.

A investigação do MP aponta até para possível vazamento de investigações da polícia a traficantes. Titular da 3ª DP, a delegada Graziela Forest teme pela sua segurança:

– Tenho informações a respeito de trabalhos realizados por mim e por colegas da delegacia e que talvez já tivessem vazado.

A reportagem tentou contato com Leal por meio do sindicato da categoria, mas não obteve retorno.