ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 24 de julho de 2012

ERA DIGITAL NAS COMUNICAÇÕES


ZERO HORA 24 de julho de 2012 | N° 17140

ERA DIGITAL. Polícia terá novo sistema antiescuta

CARLOS WAGNER 

A partir de 2013, a tecnologia na comunicação evitará interceptação de mensagens por bandidos

Para evitar a interceptação de mensagens por criminosos, um grupo técnico da Secretaria da Segurança Pública (SSP) concluiu um estudo sobre a troca do sistema de comunicação usado por Brigada Militar, Polícia Civil, Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) e Instituto-geral de Perícias (IGP). A previsão é de que, no primeiro trimestre de 2013, policiais da Região Metropolitana já estejam usando equipamentos digitais, em vez dos analógicos.

Oatual sistema analógico transmite a voz como é falada, o que facilita a escuta clandestina. Já o digital transforma a voz em uma sequência de números, o que dificulta a interceptação por criminosos.

Hoje, bandidos compram radiocomunicadores no Paraguai e conseguem escutar as transmissões na frequência da polícia. De acordo com o coronel Atamar Cabreira, diretor do Departamento de Gestão e Estratégia Operacional da SSP, traficantes e assaltantes de banco costumar monitorar as conversas para planejar suas ações e evitar flagrantes policiais. Na semana passada, por exemplo, uma quadrilha que roubou um caminhão de carga no Vale do Rio Pardo conseguiu escapar de uma perseguição ao interceptar as mensagens enviadas para viaturas da Brigada Militar.

Cabreira é um dos sete técnicos que participaram do estudo mantido em sigilo, chamado de Proposta para Digitalização da Radiocomunicação da Segurança Pública do Estado. O material tem 116 páginas e foi produzido a pedido do secretário da Segurança, Airton Michels. Na proposta, a digitalização do sistema é dividida em duas fases. A primeira, é a instalação na Região Metropolitana de Porto Alegre. A última é no Interior, sem data para ser implantada.

– Por ter o maior contingente de moradores, a prioridade foi dada à Região Metropolitana – afirmou o secretário-adjunto de Segurança, Juarez Pinheiro, encarregado por Michels de coordenar o estudo.

A previsão é instalar 14 estações de transmissão de rádio nos municípios da Região Metropolitana. Esses equipamentos devem garantir a cobertura de 95% da área. Também devem ser adquiridos 3 mil rádios – entre equipamentos fixos e móveis – para serem distribuídos entre policiais, técnicos e colocados nas viaturas.

Custo na primeira etapa será de R$ 35 milhões

O custo previsto para trocar o sistema analógico por digital na Região Metropolitana é de R$ 35 milhões. Pinheiro acredita que, se tudo der certo, o edital para a substituição do sistema deverá ser lançado em setembro.

Está prevista a substituição do Centro Integrado de Operações da Segurança Pública (Ciosp), que funciona no sétimo andar do prédio da SSP, pelo Centro Integrado de Comando e Controle (CIC), que irá operar nos andares inferiores do edifício. O Ciosp será substituído porque usa tecnologia defasada, a analógica. Em 1998, foi o centro de uma polêmica. Na sua montagem, as autoridades pretendiam adotar o sistema digital. Mas a tecnologia pertencia a uma única empresa, que também era a fornecedora dos equipamentos. O Estado e a empresa romperam o acordo e, por falta de reposição de peças, o sistema acabou sucateado. Entre os problemas decorrentes dessa situação, a comunicação com os carros patrulha tornou-se precária.

– Para evitarmos problema semelhante, vamos usar tecnologia aberta, o que significa que não teremos fidelidade com um único fornecedor do sistema. Com isso, poderemos usar equipamentos de quem tiver o menor preço – disse Pinheiro.