ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

segunda-feira, 18 de março de 2013

DENUNCIADO USO INDEVIDO DO APARATO POLICIAL

ZERO HORA 18 de março de 2013 | N° 17375

SOB SUSPEITA. Ação de sargento da BM é investigada

O comerciante Adriano Silveira Machado, 37 anos, afirma ter tido a casa invadida por três policiais militares na noite de quinta-feira, após quase uma semana de ameaças que estariam sendo feitas por um sargento de 45 anos do 20º Batalhão de Polícia Militar (BPM).

Por volta das 19h30min, uma viatura com dois PMs fardados e o sargento à paisana teria parado diante da casa na qual Machado também mantinha um armazém, na Avenida Plínio Kroeff, no bairro Rubem Berta, na Capital.

– Mandaram meus filhos saírem. Eu tive medo que me matassem – lembra o comerciante.

Enquanto vizinhos se acumulavam ao redor do armazém, cinco crianças e três adultos teriam sido retirados pelos PMs. Com as portas da casa fechadas, o trio de policiais armados teria agredido o comerciante com socos, chutes e pontapés.

A agressão teria sido um recado para que ele deixasse a residência cedida pelo Departamento Municipal de Habitação (Demhab) e irregularmente comprada pelo sargento em fevereiro. O caso foi registrado na Polícia Civil, e exames no Departamento Médico Legal foram feitos. Uma semana antes, o sargento teria estado na casa do comerciante e, com tom ameaçador, entregue um suposto contrato de compra e venda, firmado entre ele e a ex-mulher de Machado.

– É um terreno cedido para mim, quando eu ainda morava sozinho. Nem eu poderia vender – diz.

Uma certidão do Demhab confirma a cedência do lote e a autorização para que Machado mantivesse ali um estabelecimento. Foi o local para onde a prefeitura o mandou depois de ele ser retirado de uma área invadida em 2007. Para que o lote fosse repassado a alguém, só com ordem do próprio Demhab.

O comando do 20º BPM abriu inquérito policial-militar (IPM) para investigar a ação dos policiais. Conforme o major Alexandre Beiser, não havia ocorrência que justificasse a presença de uma viatura naquele ponto da Plínio Kroeff por volta das 19h30min de quinta-feira:

– A informação que temos é de que esse sargento se utilizou da estrutura da Brigada para tratar de uma desavença particular.

O caso é apurado pela Corregedoria da BM, e o sargento foi afastado do patrulhamento.

EDUARDO TORRES