ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

ESTUDO SUGERE MAIS POLICIAIS





ZERO HORA 09 de maio de 2013 | N° 17427

COMBATE A HOMICÍDIOS
Para pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), incremento no efetivo resultaria em menos mortes


Um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sugere que o aumento de prisões e de policiais nas ruas teria como resultado a redução de homicídios no país. Para a conclusão, os pesquisadores Adolfo Sachsida e Mario Jorge Cardoso de Mendonça cruzaram as taxas de homicídio e de prisões registradas em 2003 e 2009 com os efetivos das polícias Militar e Civil nas 27 unidades da federação nestes dois períodos.

Com a pesquisa, a dupla tentou avaliar o efeito de políticas de repressão sobre a taxa de homicídios na sociedade. Ações de combate ao crime foram divididas em duas: incapacitação dos criminosos e detenção das taxas. Em termos de políticas públicas, a incapacitação foi traduzida no estudo por uma maior taxa de encarceramento. Já a detenção pode ser compreendida como um aumento nas taxas de policiamento. Segundo o estudo, “de maneira geral, os resultados comprovam que prender mais bandidos e aumentar o policiamento são armas válidas para reduzir a taxa de homicídios, independentemente do que ocorra com outras variáveis socioeconômicas”.

Em linhas gerais, o estudo que avaliou a conjuntura nacional, não a questão pormenorizada dos Estados, apontou que o investimento na repressão policial poderia reduzir o impacto das mortes na economia.

Para sociólogo, estudo não seria “definitivo”

Conforme a pesquisa, “aumentar em 10% o número de presos (reduzindo assim a taxa de homicídios em aproximadamente 0,5%), implica uma economia, para o próximo ano, de quase R$ 90 milhões (economia obtida ao se evitar que pessoas sejam assassinadas). A pesquisa aponta ainda que “aumentar em 10% o efetivo policial (reduzindo assim a taxa de homicídios entre 0,8% e 3,4%), resulta numa economia anual entre R$ 141 milhões e R$ 602 milhões (economia obtida ao se evitar que pessoas sejam assassinadas)”.

– Entendemos que aumentar o efetivo tem impacto, sim, na redução das mortes. Mas a repressão precisa ser qualificada. Por isso foram ampliadas as delegacias de Homicídio. Isso aumentou o índice de solução de 20 para 75% em 11 meses – avalia o chefe de Polícia, delegado Ranolfo Vieira Júnior.

A posição é compartilhada pelo comandante-geral da Brigada Militar, coronel Fábio Duarte Fernandes:

– A Brigada ganhou 2,5 mil novos PMs este ano, chegando aos 33 mil policiais. Mais 2,5 mil devem ser contratados até o final deste governo. Queremos aliar a tecnologia aos policiais nas ruas.

O estudo, porém, não pode ser encarado como definitivo. O período curto pesquisado limita generalizações. Conforme o doutor em Sociologia, Juan Mario Fandiño Mariño, a criminalidade urbana é fruto de uma dinâmica mais complexa que inclue fatores que transcendem os avaliados na pesquisa. Para Fandiño, novos estudos seriam necessários para extrapolar os dados para outros períodos de tempo:

– A contenção policial é uma das variáveis que menos tem efeito na redução de homicídios a longo prazo. Isso porque as quadrilhas podem esperar o melhor momento para agir.