ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

EFICIÊNCIA POLICIAL EM XEQUE


ZERO HORA 20 de maio de 2013 | N° 17438

Cai número de prisões no RS

Levantamento indica que desempenho de Polícia Civil e BM recuou no primeiro trimestre, período em que os roubos aumentaram



Apesar de terem recuperado mais veículos furtados ou roubados e retirado milhares de armas das ruas, as polícias Civil e Militar prenderam menos no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2012. A informação consta de um estudo divulgado recentemente pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) chamado Acompanhamento dos Indicadores de Eficiência das Instituições Vinculadas, que monitora o desempenho das duas corporações.

No período em que o número de roubos aumentou 10,4%, o levantamento indica que a Polícia Civil capturou 423 foragidos a menos do que no ano passado. O número de prisões em flagrante também caiu (246 suspeitos a menos). A mesma tendência foi verificada entre as prisões preventivas e temporárias: 174 suspeitos deixaram de ir para trás das grades. Com isso, entre janeiro e março, 843 suspeitos a menos foram presos em relação ao verão do ano passado.

O chefe da Polícia Civil, delegado Ranolfo Viera Júnior, preferiu não indicar as possíveis causas da redução, mas confirmou que os dados apresentados pela secretaria suscitarão uma análise entre os integrantes da cúpula da corporação.

– Vamos ver o que está acontecendo. O que posso adiantar é que estamos tentando trabalhar com uma repressão mais qualificada ao crime, tentando tirar das ruas os criminosos mais perigosos – resumiu.

Ranolfo também comentou a queda de 16% no número de inquéritos remetidos à Justiça. Segundo ele, parte da queda se deve à redução do número de ocorrências registradas, na casa dos 5%.

– Tivemos uma Operação Verão muito intensa neste ano, deslocando um grande efetivo para o Litoral. Então alguns procedimentos foram remetidos mais tarde. Acreditamos que esse índice apareça melhor nos próximos levantamentos.

A situação não foi diferente na Brigada Militar. Entre foragidos e suspeitos, a corporação deteve 1.368 suspeitos a menos no primeiro trimestre. A exemplo de Ranolfo, o comandante-geral da Brigada aponta mudanças na estratégia como responsável pela queda nos números.

– Estamos integrados com Polícia Civil e Susepe na estratégia de prender os criminosos mais violentos. Nosso foco é esse. É preciso olhar o perfil e não apenas o número de suspeitos presos – pondera o coronel Fábio Duarte Fernandes.

Inspeção em desmanches também foi menor no ano

As inspeções em desmanches feitas pela corporação também caíram em 44,7%, apesar de a curva ascendente nos roubos de veículos no Estado – 12,8% no trimestre – ter tirado o sono dos motoristas.

– A queda pode ser explicada pelo fato de que estamos, além das inspeções, fazendo também a fiscalização em estacionamentos. Isso porque percebemos que alguns criminosos deixam os carros roubados ou furtados nesses locais para esfriarem (tática de esperar o fim das buscas do veículo) – explica o oficial.

FRANCISCO AMORIM


Recuperação de veículos em alta, segundo balanço

O levantamento feito pela Secretaria da Segurança Pública trouxe boas notícias. No primeiro trimestre do ano, as duas corporações recuperam cerca de 30% a mais de veículos em relação a 2012. O percentual é superior ao aumento nos índices de roubo (12,8%) e furto (18,8%) no mesmo período.

Para o chefe de Polícia, Ranolfo Vieira Júnior, a ampliação das delegacias especializadas no combate a esse tipo de delito começa a dar resultados. Os carros e utilitários acabam sendo recuperados em operações voltadas contra grupos organizados. Na avaliação do comandante da Brigada Militar, coronel Fábio Duarte Fernandes, os resultados de sua corporação se devem à realização de blitze em pontos estratégicos, além das vistorias em estacionamentos:

– Estamos atuando em áreas onde há mais concentração de crimes.

Pelas contas do governo, as duas corporações ainda tiraram das ruas mais de 30 armas por dia. Segundo Ranolfo, ao se concentrar em quadrilhas mais perigosas, o número de armas apreendidas acaba sendo maior. Para Fernandes, o grande número de armas recuperadas das mãos de bandidos permite ainda uma análise surpreendente sobre sua origem:

– A maioria eram armas legais que foram parar na mão de bandidos depois de serem roubados e furtadas.

COLUNA DO LEITOR

SOBRE ZH - Magnífico o artigo do jornalista Celito de Grandi (ZH do dia 10, página 23) ao relatar o assalto sofrido quando corria no Parque Marinha do Brasil, em plena luz do dia. Enquanto o governo estadual gasta nosso dinheiro passeando mundo afora, à procura de soluções que com certeza encontraria aqui, o governo federal cria secretarias supérfluas e tremendamente onerosas ao país, apenas para ganhar alguns minutos na já iniciada, mas não autorizada, campanha eleitoral. Dilson Osvaldo Flores Nunes, Aposentado – Porto Alegre

- “Mãos sujas de sangue”, de Roberto Rachewsky (ZH do dia 14, página 14), capta com plena exatidão o sentimento de todo o povo brasileiro, cada qual aguardando a execução de sua sentença capital, decidida por algum bandido. Claudino Rhoden, Professor – Porto Alegre.