ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sábado, 4 de maio de 2013

EFETIVO REDUZIDO ENCORAJA QUADRILHAS




ZERO HORA 04 de maio de 2013 | N° 17422

CLEVER MOREIRA



Ao assaltarem dois bancos em Fagundes Varela, bandidos deixaram mais evidente a falta de efetivo em pequenos municípios.

O presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Brigada Militar, Leonel Lucas, os riscos que PMs enfrentam com equipe minguadas:

– O banco fica aberto das 10h às 16h, depois não tem nenhum segurança. O brigadiano trabalha sempre com preocupação.

Conforme o subcomandante-geral da Brigada Militar, coronel Silanus Mello, a formatura de novos soldados, ocorrida no mês passado, vai minimizar o problema aumentando o efetivo.

– Nossos policiais estão preparados, técnica e psicologicamente, para enfrentar essas situações – explica o coronel.

Para o titular da Delegacia de Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Joel Wagner, os assaltantes apostam no inesperado.

– Algumas cidades que têm pequeno efetivo (das polícias) possuem armas que poderiam fazer frente a eles (bandidos). Eu acredito muito no fator surpresa – afirma o delegado.


PMs presos e bancos atacados. Criminosos rendem policiais e obrigam soldados da Brigada a participar de assaltos a duas agências em Fagundes Varela


Acostumados a atender a raras ocorrências de furto a residências no município de 2,5 mil habitantes, os soldados Márcio, 29 anos, e Giachini, 45 anos, cujos nomes completos são omitidos, foram rendidos por quatro criminosos e tiveram de assistir a quadrilha atacar o Sicredi e o Banco do Brasil, as duas únicas agências da cidade. É a terceira vez, apenas esse ano, que PMs de pequenas cidades do Interior são presos e humilhados por bandidos.

Por volta das 11h30min, quatro homens vestidos como policiais civis a bordo de um Azera prata chegaram ao município serrano. Vestindo camiseta, usando óculos escuros e protegidos por coletes à prova de balas, o grupo esteve na sede da Brigada Militar (BM), onde não havia nenhum servidor. Naquele instante, Márcio e Giachini cumpriam a rotina de ficar em frente ao Colégio Estadual Ângelo Mônaco, acompanhando a saída dos cerca de 70 alunos do turno da manhã. O bando rodou com o carro por duas quadras até localizar os PMs, que estavam dentro de uma viatura Prisma em frente à escola, na Rua Ângelo Mônaco. Usando toucas-ninjas, a quadrilha parou o Azera, desembarcou e deu três tiros de espingarda calibre 12 para o alto. Os estampidos provocaram gritaria e correria.

– Quando vimos que eles tinham arma pesada, a espingarda e uma submetralhadora, não tivemos o que fazer – lamentou Márcio, que foi obrigado a embarcar no Azera com dois ladrões.

Os outros dois criminosos entraram na viatura e fizeram Giachini passar para o banco traseiro. O bando partiu em direção ao Centro. No trajeto, passou pela Rua Visconde de Pelotas, lateral ao Banco do Brasil, de onde o segurança estranhou a movimentação e avisou o gerente. Os dois carros não pararam. O gerente evacuou a agência, mandando clientes e funcionários irem embora.

Duas portas foram rompidas com golpes de machado

A quadrilha assaltou primeiro o Sicredi, na Rua Benedito Testa. Com um machado, um ladrão quebrou a porta de vidro. Os bandidos fizeram os PMs entrarem na agência e deitarem no chão com funcionários e clientes. Em cerca de 10 minutos, recolheram o dinheiro do cofre e retornaram para os carros, ainda com os soldados. Rodaran por uma quadra até o Banco do Brasil, onde não havia mais ninguém. Um morador que passava pela rua também foi dominado. Com os três reféns, os ladrões entraram no banco, depois de usarem mais uma vez a ferramenta para quebrar a porta.

– Disseram para ficarmos deitados de bruços. Em menos de cinco minutos, eles nos liberaram – complementa Giachini.

Caçada nas matas e em morros da região


Dezenas de PMs e policiais civis iniciaram um pente-fino na mata que margeia o Rio Carreiro, entre os municípios de Fagundes Varela e Cotiporã. Os ladrões teriam se embrenhado nas barrancas do rio para fugir da polícia, a exemplo do que ocorreu após o ataque à fábrica em Cotiporã, em dezembro de 2012.

Na estrada que liga o interior dos municípios foi localizado o Azera utilizado na ação e uma caminhonete Dodge Journey. Apesar do utilitário não ter sido visto no momento do ataque, policiais acreditam que ele tenha sido usado como suporte para a fuga. Próximo aos veículos foi encontrado um colete balístico da BM e uma mochila com miguelitos, pregos retorcidos usados por ladrões para furar pneus de viaturas.

Conforme a Delegacia de Roubos, o carro apreendido fora roubado em Porto Alegre e a caminhonete supostamente usada pela quadrilha, na Região Metropolitana.

– Os locais de onde vieram os veículos podem evidenciar uma possível ligação da quadrilha com criminosos da Capital e região– avalia o titular da Roubos, Joel Wagner.



COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Dizer que "efetivo reduzido encoraja quadrilhas" é expressar ingenuidade e desconhecimento sobre as verdadeiras causas da criminalidade. O que "encoraja quadrilhas" é uma justiça criminal assistemática, fraca e leniente contra o crime, amparada por leis que favorecem a bandidagem e com uma execução penal permissiva, condescendente e dominada pelas facções, pelo compadrio entre poderes e por decisões amadoras, superficiais e inoperantes.