ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

POLICIAIS EXIGEM SEGURANÇA

O SUL Porto Alegre, Terça-feira, 21 de Outubro de 2014.


WANDERLEY SOARES


Os discursos que saem das bocas oficiais, todas elas muito antigas, deverão conter, sem maior esforço, protestos considerados fora do regulamento


Não fosse o crescimento gradativo e incontrolado da violência e da criminalidade em desenvolvimento há algumas décadas, os jornalistas da área policial da minha geração que, em atividade, não são muitos, poderiam até levar algum susto diante de uma manifestação por maior segurança para a sociedade realizada, ontem, exatamente, por praças da Brigada Militar, a quem está entregue o policiamento ostensivo do RS. Afinal, eu e meus contemporâneos vivemos a época em que o policial, à paisana ou fardado, era respeitado pelos cidadãos de bem por serem, entre outros motivos, temidos pela bandidagem.


Houve, durante a ditadura, a fase em que esses mesmos policiais foram usados para reprimir movimentos sociais quando, para eles, eram consideradas inimigas as chamadas hordas de trabalhadores e estudantes que lutavam por suas causas, categorias que foram equiparadas, à luz dos cassetetes tamanho-família, aos delinquentes. Com o retorno à democracia, os policiais assumiram a consciência de que também eram trabalhadores, de que também eram estudantes. E eis que já há algum tempo os policiais também são cidadãos das manifestações sociais e o que seria impensável em meus primeiros anos de repórter, estão a exigir uma política de maior responsabilidade na área da segurança pública por parte dos governantes. Sigam-me.


Tintas


Aqui da minha torre, como um humilde marquês, apontei que o assassinato do soldado Márcio Ricardo Ribeiro que, fardado, foi atingido por sete tiros quando viajava como passageiro em um ônibus na Zona Sul da Porto Alegre, na semana passada, não deveria se resumir a um inquérito policial a mais enviado para a Justiça. Esse quadro é muito antigo e está pintado por todos os segmentos políticos que passaram pelo Piratini, tanto é que suas tintas estão descascando. Antes de Ribeiro, nas ruas, em suas casas nos transportes coletivos foram mortos cidadãos civis e mesmo policiais em ação. No entanto, Ribeiro era apenas um passageiro, mas estava fardado. A passeata dos brigadianos, portanto, não deve ter surpreendido a ninguém.


Censura livre


No sábado, um adolescente de 14 anos decepou, a facão, uma das mãos de um colega de escola, de 16 anos, em São Gabriel. Conforme o delegado Jader Duarte, o agressor afirmou que agiu em legítima defesa. Digo eu que filmes exibidos para todos em todos os horários e reportagens criminosas, com censura livre, transmitem esse tipo de cultura.


Homenagem


A delegada Claudia Cristina Crusius, da Polícia Civil, foi especialmente homenageada, no sábado, durante as comemorações do 84 aniversário do 3 Regimento de Polícia Montada, sediado em Passo Fundo, e que tem no comando o tenente-coronel Fernando Carlos Bicca. Cláudia recebeu uma comenda na abertura do Festival Hípico daquela unidade da Brigada Militar em reconhecimento à efetiva participação e competência profissional em favor da segurança pública da Região do Planalto.