ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

AGENTES DA PF AMEAÇAM GREVE



ZH 21 de outubro de 2014 | N° 17959


AMEAÇA DE GREVE. Agentes da PF podem paralisar as atividades



Agentes da Polícia Federal (PF) realizam hoje assembleia geral, com indicativo de greve. A paralisação, se aprovada, deve ocorrer quarta, quinta e sexta-feira em todo o país, prejudicando as investigações e também a emissão de passaportes, alertam os postuladores do movimento.

O indicativo de greve foi proposto pela Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), que congrega agentes, escrivães e papiloscopistas federais. Duas são as reclamações principais: salários, congelados há seis anos, e descumprimento do acordo que pôs fim a última greve, em 2012.

O estopim da mobilização é a recente Medida Provisória (MP) 657, editada pelo governo federal. Os sindicatos dos agentes consideram que ela “atropelou” tratativas no Ministério do Planejamento que davam mais autonomia aos policiais. A MP define que cargos de chefia e o conceito de autoridade policial são prerrogativas do cargo de delegado. A mesma medida considera o cargo de delegado como “carreira jurídica”, o que permite à categoria pleitear equivalência com procuradores e juízes. Caso a MP passe pelo Congresso, entre outras vantagens, os delegados só poderão perder o cargo mediante decisão judicial e não serão removidos de setor. Os agentes reivindicam o direito de presidir inquéritos e chefiar postos, pelo menos onde não há delegados.

– A medida cria uma hierarquia política nunca existente na PF, e retira a autoridade e autonomia técnica dos demais policiais envolvidos nas investigações. Apesar de termos curso superior, nossos salários equivalem ao nível médio – reclama o presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Estado, Ubiratan Sanderson.

A Associação Nacional dos Delegados de PF (ADPF) e a Federação Nacional dos Delegados de PF (Fenadepol) classificam como “injustificável” a realização da greve. Eles lembram que os agentes ganharam promessa de reajuste de 15% e que foi aberto concurso com remuneração inicial de R$ 9.075,20 e final de R$ 14.129,93.

– É estranho que uma pequena parcela dos policiais federais queira greve na semana que antecede o segundo turno das eleições gerais – disse Josemauro Nunes, diretor regional da ADPF no Estado.