ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

JUSTIÇA FEDERAL DETERMINA O FIM DA FREVE DE PMS NA BAHIA

O Estado de S. Paulo 17 de abril de 2014 | 13h 43

Multa diária em caso de não cumprimento da ordem é de R$ 1,4 milhão de reais

Heliana Frazão - Especial para o Estado 



Governo da Bahia/Divulgação
Reunião da Câmara de Dirigentes Lojistas de Salvador (CDL) pode ter chegado a um consenso


A Justiça Federal determinou nesta quinta-feira, 17, o fim imediato da greve dos Policiais Militares da Bahia, sob pena de pagamento de multa diária de R$ 1,4 milhão de reais, a pedido do Ministério Público Federal (MPF).

A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens do principal líder do movimento, o policial bombeiro, Marco Prisco, e das seis associações representativas da corporação, envolvidas na paralisação, e de seus dirigentes. O bloqueio dos bens visa garantir o ressarcimento dos prejuízos causados aos cofres públicos, a exemplo do envio da Força Nacional de Segurança Pública para o estado.

São grandes as expectativas quanto à possibilidade de encerramento, já nesta quinta, da greve, iniciada na noite de terça-feira, 15. Uma reunião realizada no final da manhã, na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas, em Salvador, entre representantes das associações que representam a corporação e o Comando Geral da PM, com intermediação do Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, pode ter chegado a um consenso.

Na saída da reunião, o comandante geral da PM, Alfredo Castro, afirmou ter sido fechado um acordo. A proposta está sendo levada, pelos líderes grevistas, para ser discutida com a corporação, em assembleia, nesta tarde. Os policiais militares estão reunidos em uma casa de eventos.

Mantido o clima de insegurança na Bahia devido à greve dos policiais desde a terça-feira, 15, subiu o número de mortes na capital Salvador e Região Metropolitana. Números oficiais da Secretaria de Segurança Pública confirmam a morte de 23 pessoas até o início da madrugada desta quinta, o que pode significar um porcentual maior de vítimas fatais, quando contabilizados até o amanhecer.

Com a paralisação da PM, lojas e supermercados foram arrombados e saqueados. A greve também chegou a afetar a circulação de ônibus em Salvador.

Esta é a segunda greve da PM que o governador Jaques Wagner enfrenta. A anterior, entre janeiro e fevereiro de 2012, durou 12 dias, e foi marcada pela ocupação da Assembleia Legislativa pelos policiais, pelo registro de mais de 100 homicídios no período e por arrastões e ondas de saques a estabelecimentos por todo o Estado.



Pedidos de policiais da Bahia teriam custo de R$ 600 milhões, diz governo. Secretário afirma que estado não tem condições de arcar com reivindicações de grevistas

Tiago Décimo e Luci Ribeiro - O Estado de S. Paulo


O secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, mostrou-se desanimado após analisar a pauta de reivindicações do movimento grevista da Polícia Militar do Estado. De acordo com o gestor, os pedidos feitos pelos policiais são "um retrocesso" nas negociações entre as partes, já que representariam um custo adicional de R$ 600 milhões por ano ao Estado, o que estaria fora dos limites orçamentários. "Aguardamos que eles encaminhem uma proposta razoável", disse.


Governo da Bahia/Divulgação
Tropas do Exército atuam nas ruas de Salvador


Na pauta, são listados 37 itens que os grevistas consideram "fundamentais" para a categoria. Entre eles estão, além de melhorias nos planos de carreira e de cargos e salários, pedidos como aumento e incorporação de parte das gratificações aos vencimentos, inclusão de policiais inativos na lista dos recebedores de gratificações, aumento de 200% no auxílio-alimentação e anistia administrativa dos integrantes tanto da greve de 2012 quanto desta.

A greve dos policiais militares começou na noite de terça-feira, 15. Com a paralisação da PM, lojas e supermercados foram arrombados e saqueados. A greve também chegou a afetar a circulação de ônibus em Salvador. Além disso, por segurança, todos os principais shopping centers de Salvador mudaram o horário de fechamento das 22 horas para as 17 horas.

Esta é a segunda greve da PM que o governador Jaques Wagner enfrenta. A anterior, entre janeiro e fevereiro de 2012, durou 12 dias, e foi marcada pela ocupação da Assembleia Legislativa pelos policiais, pelo registro de mais de 100 homicídios no período e por arrastões e ondas de saques a estabelecimentos por todo o Estado.

Dilma. A presidente Dilma Rousseff destacou, em sua conta no Twitter, o apoio do governo federal à segurança pública no Estado da Bahia. "Autorizei o envio de tropas federais para dar apoio à segurança pública e garantir a paz na Bahia", escreveu. "É inadmissível que a segurança da população baiana fique em risco", acrescentou. Dilma ainda destacou: "O gov@jaqueswagner tem todo o apoio do meu governo para garantir segurança à população da Bahia".

Agentes da Força Nacional de Segurança Pública desembarcaram em Salvador na quarta-feira para fazer o policiamento nas principais cidades da Bahia durante greve da Polícia Militar no Estado. A atuação das equipes foi permitida por decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO)assinado por Dilma, a pedido do governador Jaques Wagner (PT). Ao todo, 5 mil agentes trabalham na operação.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - A população sofre com as consequências e os policiais com o abandono das leis, desvalorização funcional e descaso dos governantes. Porém, é lamentável que os governantes aleguem sempre a lei de responsabilidade fiscal e os limites dos cofres públicos quando se trata de pagar salários justos para policiais, professores e agentes da saúde. Mas ficam quietos quando se trata de reajustes salariais para juízes, promotores, defensores, secretários, cargos comissionados e servidores da justiça.