ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 22 de abril de 2014

COBERTOR CURTO



ZERO HORA 22 de abril de 2014 | N° 17771


EDITORIAIS



É bom saber que Porto Alegre terá policiamento reforçado no pe-ríodo da Copa do Mundo, e que os policiais militares estão sendo preparados para esta missão especial que é proteger a população, os turistas e a imagem do país. A segurança é um dos maiores desafios das autoridades brasileiras para garantir o sucesso desse grande evento internacional. Ainda assim, é preocupante que, também nessa área, a realização do Mundial evidencia carências enfrentadas pelo Estado no caso, a falta de estratégias permanentes para reduzir a sensação de insegurança percebida pelos gaúchos.

Diante da confirmação de que, a partir de meados de maio, um contingente semelhante ao mobilizado no verão para a Operação Golfinho no Litoral será deslocado do Interior para a Capital, dirigentes municipais reagiram com temor. O presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Valdir Andres, convocou os prefeitos para debater amanhã essa decisão por meio da qual “estamos desvestindo um santo para vestir outro”. O importante é que, diante desse cobertor curto da segurança pública, tanto as demandas da Capital quanto as do Interior possam ser devidamente avaliadas, e não apenas as relacionadas a esse período.

É óbvio que a implantação do esquema precisa se mostrar maleável o suficiente para evitar que municípios do Interior, muitos dos quais com a violência já incorporada ao cotidiano, fiquem ainda mais vulneráveis. O esquema da Copa, porém, deve ser visto como uma prova de que é possível usar os recursos disponíveis nessa área com flexibilidade e eficiência. E precisa servir de modelo para a continuidade de operações que garantam e até mesmo possam reforçar a proteção dos cidadãos no cotidiano, em todo o Estado.