ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sábado, 24 de janeiro de 2015

POLICIAL LIGADO A TRAFICANTE TINHA ACESSO À CONSULTAS INTEGRADAS



ZERO HORA 24 de janeiro de 2015 | N° 18052


ADRIANA IRION


MORTE EM TRAMANDAÍ. Inquérito apura dados consultados por policial

EX-ASSESSOR do secretário da Segurança Pública investigado por ligação com traficante assassinado tinha senha do sistema Consultas Integradas


O inquérito sobre as relações do comissário Nilson Aneli com o traficante Alexandre Madeira, o Xandi, apura as informações que ele pode ter acessado a partir da senha que tinha como policial. Uma auditoria está sendo feita para verificar se Aneli buscou dados no sistema Consultas Integradas, quais foram e a que assuntos se relacionavam.

Durante quatro anos, Aneli foi chefe da segurança pessoal de Airton Michels, que comandou a Secretaria da Segurança Pública no governo Tarso Genro. O comissário admitiu a Michels que trabalhava como segurança na casa em que Xandi foi morto, dia 4, em Tramandaí. A informação por revelada por ZH ontem. Aneli negou saber do envolvimento do cliente com o tráfico de drogas.

Sobre o acesso a informações sigilosas, Michels assegura que Aneli não o tinha. Mas como policial, ele podia usar uma senha comum a integrantes da corporação, que permite consultar informações de todo o tipo, como endereços de pessoas, antecedentes criminais e judiciais, ocorrências, inquéritos, passagens pelo sistema penitenciário, fotos, dados de veículos e laços familiares.

O ex-secretário disse que, eventualmente, solicitava a Aneli ajuda em casos sobre os quais recebia queixa de atraso na investigação, mas nada que envolvesse assuntos sigilosos. Para Michels, Aneli disse que trabalhou com o grupo de Xandi apenas no final de semana em que ocorreu o crime. Teria sido chamado pelo sobrinho de uma ex-mulher, Marcelo Mendes Ventimiglia. A Corregedoria da Polícia apura se o comissário trabalhava havia mais tempo como segurança do criminoso.



Sobrinho de Aneli é réu por roubo


O sobrinho do comissário Nilson Aneli, que seria responsável por convidar o tio para o trabalho de segurança na casa do traficante Xandi, tem antecedentes por roubo a posto bancário, receptação e adulteração de veículo, lesão corporal e ameaça.

Marcelo Mendes Ventimiglia, 31 anos, foi baleado no tiroteio em que foi morto Xandi, em Tramandaí, no dia 4, e segue hospitalizado. Na primeira versão dos fatos, Aneli disse ter sido chamado ao local para socorrer o sobrinho baleado. Depois, surgiu a versão do convite para trabalhar naquele fim de semana.

Ventimiglia teve prisão decretada e deve ser transferido para um presídio quando tiver alta. Em razão das condições pes­soais e de saúde dele, o advogado Procópio de Lima Filho solicitou relaxamento da prisão ou autorização de prisão domiciliar:

– Ele pesa 230 quilos, tem dificuldade de locomoção. Levou dois tiros nas costas que atingiram rim e pulmão, teria que ter uma cama adaptada na prisão.

Em julho de 2013, Ventimiglia se tornou suspeito de assalto a um posto bancário em Balneário Pinhal, no qual um segurança e dois gerentes foram usados como reféns para a fuga.

Em março de 2014, foi preso por isso a pedido da Delegacia de Roubos do Deic. Ganhou liberdade provisória e segue respondendo ao processo criminal.

Ventimiglia trabalhava na produtora de eventos Nível A, cujo um dos proprietário era Xandi. Segundo o advogado, seu cliente atuava como segurança de artistas, por ser “grande, gordo e careca”.