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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

ASSESSOR DE MICHELS É INVESTIGADO POR SUPOSTA LIGAÇÃO COM O TRÁFICO



zero hora 06 de janeiro de 2015 | N° 18034



ADRIANA IRION, HUMBERTO TREZZI E JOSÉ LUÍS COSTA


SOB SUSPEITA. NILSON ANELI ESTAVA EM FRENTE à casa onde Xandi foi morto logo após tiroteio. Testemunhas contradizem versão de comissário de que foi ao local depois de saber que sobrinho fora baleado


Um policial civil que até quinta-feira era lotado no gabinete do ex-secretário da Segurança Airton Michels está sendo investigado por suposta ligação com o traficante executado em Tramandaí, no domingo. O comissário Nilson Aneli estaria participando de um churrasco na casa do traficante Alexandre Madeira, o Xandi, no momento em que o criminoso foi morto com um tiro de fuzil por uma quadrilha rival.

Ainda no domingo, nas primeiras apurações, Aneli, que está há 33 anos na corporação, se apresentou ao delegado Paulo Perez, de Tramandaí, e afirmou que chegou à casa alugada pelo traficante minutos após o tiroteio, depois de saber que um sobrinho estava no local e fora baleado.

ELOGIOS NO DIÁRIO OFICIAL DE ONTEM

Depoimentos de suspeitos e de testemunhas contradizem a versão. Três pessoas presas em flagrante por posse do arsenal apreendido na casa firmaram que Aneli estava lá na hora do tiroteio. E mais: que algumas das armas pertenciam a ele.

Além disso, testemunhas disseram que, logo após o ataque, dois homens saíram da casa revidando os disparos. Um seria grisalho. Ao ver fotos de Aneli, testemunhas o reconheceram. Um policial militar que chegou ao local cerca de dois minutos depois do tiroteio encontrou Aneli no portão da casa onde havia um morto e dois baleados. Zero Hora não conseguiu localizar o comissário para comentar o assunto.

A Corregedoria da Polícia Civil abriu procedimento para verificar se Aneli trabalhava fazendo segurança para Xandi, considerado um dos maiores traficantes da Região Metropolitana. Zero Hora apurou que, com a troca de governo, Aneli havia sido cedido para o Ministério Público (MP) a pedido de Michels, que é promotor e volta ao órgão depois de comandar a Segurança por quatro anos.

No Diário Oficial de ontem, Aneli foi elogiado por Michels em uma portaria por serviços prestados: “Louvar os Comissários de Polícia Nilson Aneli (e outros dois policiais) considerando que, com grande zelo, competência, abnegação e espírito público, que transcenderam suas obrigações funcionais, sendo essenciais no desempenho de suas atividades junto ao Gabinete da Secretaria da Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul.”

Aneli era chefe da segurança do então secretário. Michels disse ontem que tem as informações iniciais do caso e que aguarda a investigação da Polícia Civil.