ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O CÚMULO DO DESACERTO

ZERO HORA 20 de fevereiro de 2013 | N° 17349

SUA SEGURANÇA | HUMBERTO TREZZI

O cúmulo do desacerto

Apopulação gostaria de ver policiais como os guardiões que juraram ser, na sagrada hora da formatura. Muitas vezes ocorre uma decepção. É decepcionante, por exemplo, ver que colegas de profissão com farda e sem se apontam armas e trocam palavrões em meio a uma banal discussão de trânsito. Se fazem isso com parceiros, o que fariam com desconhecidos?

O policial civil que abusou da velocidade nas ruas do bairro, em viatura discreta, deveria saber que sua atitude despertaria a desconfiança dos colegas da BM, encarregados de patrulhar as vias e coibir desatinos no trânsito. Os PMs, por outro lado, deveriam ter moderado a atitude assim que o colega da Civil se identificou. Consta que apontaram uma pistola para o rosto dele, o que é ainda pior – mesmo que desconfiassem da atitude do homem, bastava uma conferida na placa para constatar que se tratava mesmo de uma viatura policial.

As explicações serão apuradas, mas até lá a comunidade terá razões de sobra para contrariedade. Muito se fala da falta de policiais nas ruas. Como se explica, então, que dezenas de PMs e agentes da Polícia Civil tenham se mobilizado, dispostos a confronto, ante uma discussão de trânsito? A mobilização seria tamanha diante de um simples assalto? São questões que a população discute, cada vez que atritos desgastam a imagem dos que estão aqui para servir e proteger.

A NOTÍCIA

Perseguição de PMs a um inspetor provoca conflito. Desentendimento, que mobilizou dezenas de policiais, se encerrou na Área Judiciária da Capital

A reação de um policial civil ao ser abordado em uma barreira da Brigada Militar, na manhã de ontem, na Capital, reavivou rusgas antigas entre as instituições. O bate-boca acalorado, que se iniciou após o inspetor trafegar em alta velocidade, no bairro Menino Deus, e ser parado por brigadianos de arma em punho, terminou na Delegacia de Pronto Atendimento (DPPA) da Polícia Civil.

De um lado, os militares alegando suposto desacatado. De outro, civis apontando para supostos excessos dos colegas. A celeuma, que se estendeu por mais de 30 minutos até chegar à delegacia, teria reunido quase 40 PMs, segundo a Polícia Civil, e quatro delegados da Polícia Civil, de acordo com a BM.

O incidente se iniciou por volta das 10h30min, quando um Palio prata foi visto em alta velocidade acessando a Rua José de Alencar, no bairro Menino Deus. Desconfiada, a BM saiu em perseguição, pedindo apoio a uma segunda viatura e mais duas motos.

Na Rótula do Papa, cruzando a Avenida Erico Verissimo, o carro foi abordado. O motorista teria colocado o luminoso para cima do carro, se identificando como policial. Os brigadianos consultaram a placa do automóvel no Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) e certificaram-se de que se tratava de uma viatura discreta.

Por terem sido desacatados e para terem certeza das credenciais, segundo a BM, pararam o Palio novamente, mais adiante, na Rua Santana.

O inspetor Afonso Cunha teria descido e mostrado o distintivo. Neste momento, armou-se a confusão. Dezenas de policiais acompanhavam a briga.

– Quando ele foi abordado, apenas colocou luminoso da polícia para fora e fez sinal de positivo. Além de não se identificar, saiu novamente em alta velocidade – disse o tenente Paulo Roberto Nunes, do 1° Batalhão de Polícia Militar (BPM).

O delegado Arthur Raldi, da 6ª Delegacia de Homicídios, onde Cunha atua, confirmou que o inspetor estava em expediente, mas não soube informar qual era o teor da ocorrência. Raldi lamentou o episódio:

– Mesmo com a informação de que se tratava de um policial civil, os policiais militares deram sinal de rádio para fazer outra abordagem.

O incidente será investigado pelas corregedorias das duas corporações.