ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

MORRE AO RECEBER CHOQUE DA PISTOLA TASER


ZERO HORA 04 de fevereiro de 2013 | N° 17333

ARMA POLÊMICA

Garçom morre atingido por pistola de choque. Julio Cezar Leal Vaz entrou em surto no centro de Viamão e foi alvejado por policiais com Taser

ALINE CUSTÓDIO

No dia em que se casaria, o garçom Julio Cezar Leal Vaz, 35 anos, acabou morto, na manhã de sábado, em Viamão. A família dele acusa policiais militares, armados com uma pistola de choque (Taser), de serem os responsáveis.

Socorrido pela ambulância do Samu, o garçom morreu no Hospital de Viamão. No laudo preliminar, a causa da morte está indeterminada. Caso se confirme que o motivo seja a Taser, seria o primeiro caso no Estado. A própria Brigada Militar (BM) registrou o caso na DPPA de Alvorada, que enviará inquérito para a 1ª DP de Viamão para ser investigado. Conforme o comandante da 1ª Companhia do 18º BPM (Viamão), capitão Emerson Rama Quadros, a pistola foi usada seguindo a técnica recomendada.

Segundo a mulher de Julio, Josiane Vieira Menezes, 34 anos, no sábado o casal registraria no cartório civil a união existente havia 10 anos. Porém, o garçom, que tinha problemas de depressão e usava remédios controlados, teria sofrido um surto devido à emoção do momento.

– Já estávamos saindo para o cartório quando ele tirou o terno. Perguntei o que tinha, mas ele não respondeu. Saiu para a rua só de bombachas, sem camisa e descalço. Chovia muito naquele momento – recorda Josiane.

A pé e fora de si, Julio saiu de casa sem rumo. Preocupados, familiares acionaram a Brigada Militar e o Samu para resgatá-lo. Há dois anos, contam os parentes, o garçom tinha passado por crise idêntica e havia sido socorrido pela BM.

– Ele não podia se emocionar muito porque entrava em surto. Mas era um homem de bom coração e trabalhador – assegura o sobrinho José Augusto Xavier Vaz.

Sozinho, Julio percorreu cerca de dois quilômetros até a Praça da Matriz, no Centro. Lá, segundo testemunhas, pegou um botijão de gás de 13 quilos, que estava num caminhão, e o jogou contra um carro. Quando a viatura da Brigada chegou, o garçom arremessou um tijolo contra os policiais.

– Os PMs deram tiros com a Taser até ele cair, inconsciente. O problema é que ele estava descalço e chovia muito. Meu irmão já chegou ao hospital, praticamente, morto – conta o irmão, Ronaldo Vaz.

À distância, um motoboy viu toda a ação.

– Os policiais deram o choque mais de uma vez e, quando ele caiu, o algemaram e continuaram dando choque. Só tiraram a algema quando os colegas de trabalho do Julio se aproximaram e o reconheceram – revelou o motoboy.