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terça-feira, 16 de setembro de 2014

POLÍCIA CORRUPÇÃO SA


ZH 16 de setembro de 2014 | N° 17924


Ação prende terceiro na hierarquia da PM do Rio. MAIS 21 POLICIAIS foram detidos sob acusação de receber propina de empresas irregulares. O esquema funcionava dentro de um batalhão



O coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira e o major Carlos Alexandre de Jesus Lucas, da Polícia Militar (PM) foram presos ontem, sob acusação de liderar uma quadrilha formada por PMs envolvida em extorsões no bairro de Bangu, na zona oeste do Rio. Segundo as investigações do Ministério Público Estadual e da Secretaria de Segurança Pública do Rio, o esquema criminoso funcionava dentro do 14º Batalhão de Polícia Militar, em Bangu, e envolveu todos os quadros do quartel, desde oficiais do Estado-Maior até praças.

Ao todo, 22 pessoas foram presas, denunciadas pela promotoria por formação de quadrilha armada. O coronel e o major já não trabalhavam em Bangu. Vinham ocupando, respectivamente, os cargos de comandante e subcomandante do Comando de Operações Especiais (COE) da PM, ao qual estão subordinadas tropas de elite. Fontenelle era o terceiro na hierarquia da Polícia Militar do Rio e foi preso em casa.

Conforme investigações da Secretaria de Segurança, as equipes de policiamento cobravam propina de comerciantes, empresários, ambulantes, mototaxistas e motoristas de cooperativas de vans e de empresas transportadoras de carga que circulavam na área do batalhão. Em vez de coibir os veículos irregulares e a venda de produtos piratas, eles se aproveitavam da situação ilegal para exigir propinas, que variavam de R$ 10 a mais de R$ 2,5 mil e seriam cobradas diária, semanal ou mensalmente.

O esquema funcionava como uma empresa, segundo a investigação. Praças da equipe de policiamento de trânsito do batalhão cobravam a propina. Depois, o dinheiro era repassado para a “administração”, como era chamada a cúpula do quartel.

Os envolvidos responderão na Justiça Militar pelas concussões (extorsões praticadas por servidores públicos), apuradas às centenas pela promotoria. Na Justiça comum, por formação de quadrilha armada (pena máxima de seis anos). Também serão investigados por lavagem de dinheiro. O Ministério Público pedirá indenização por danos morais à imagem do Estado do Rio e da PM. A Secretaria de Segurança havia apreendido, até meio-dia de ontem, R$ 287 mil e R$ 33 mil, na casa de dois suspeitos. Até o fechamento desta edição, o valor total não havia sido divulgado.



A OPERAÇÃO

-O objetivo da ação Amigos S/A era cumprir 25 mandados de prisão, sendo 24 contra PMs e um contra policial civil, e 53 de busca e apreensão.

-A investigação é um desdobramento da Operação Compadre, deflagrada em abril de 2013, quando 78 mandados de prisão foram expedidos, 53 deles contra policiais militares, para a desarticulação de quadrilha que cobrava propina de feirantes e comerciantes com mercadorias ilícitas, em Bangu, no Rio.