ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

AGENTE DUPLO

ZERO HORA 01 de fevereiro de 2015 | N° 18060


PAULO SANTANA




Inicialmente, não acreditei, por isso dou aos leitores o direito de não acreditar neste fato fenomenal: o chefe da segurança pessoal do então secretário da Segurança Pública do RS, Airton Michels, foi ao mesmo tempo integrante graduado da quadrilha do traficante de drogas Xandi.

Creiam, mas isso aconteceu e ainda está se desdobrando entre nós.

A Justiça de Tramandaí já decretou a prisão desse agente duplo, o comissário de polícia Nilson Aneli.

Por natureza, o cargo de secretário da Segurança Pública tem de ter todas as informações sobre sua área. Pois o secretário da Segurança Pública Airton Michels não sabia que o comissário Nilson Aneli era também integrante de uma quadilha de traficantes e nomeou-o seu chefe da segurança pessoal.

Dá para acreditar? Mas o fato está se desdobrando há mais de uma semana na Justiça e no noticiário policial, por isso nos é oferecido assim de bandeja para abordá-lo.

Inicialmente, o então secretário da Segurança Pública, Airton Michels, teve a reação que todos tivemos: não acreditou. Mas logo em seguida ficou sabendo dos detalhes desmoronantes do caso e teve de admiti-lo. Foi enganado, ludibriado, logrado pelo chefe da sua segurança pessoal.

E o caso está aí nos jornais para quem quiser vê-lo e nele acreditar.

O arrepiante é que supunha-se que a Segurança Pública tivesse amplo domínio sobre seu setor. Pois não tinha, como se vê. E quem tinha amplo domínio de conhecimento sobre a pasta da Segurança Pública era justamente o agente duplo, o comissário Nilson Aneli, que servia ao secretário da Segurança Pública durante o dia e à noite servia ao tráfico, cheio e precioso de informações certamente.

É o mais impressionante caso de uma agência dupla que se instalou entre nós nas cercanias do poder, nas barbas do poder.

Estivesse ainda no cargo o ex-secretário Airton Michels quando estourou o escândalo, teria caído. Não por responsabilidade direta sobre a agência pública. Mas por ter sido marido traído.

Que caso! Fantástico, incrível, extraordinário!