ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

OS EFETIVOS DA SEGURANÇA PÚBLICA

O SUL Porto Alegre, Domingo, 08 de Fevereiro de 2015.



WANDERLEY SOARES


Nesta moldura, alcanço entender os profissionais de polícia que se refugiam em desvio de funções



Nas águas turvas da segurança pública, há o antigo, permanente e, por isso, crônico problema da carência de efetivos na Brigada Militar e Polícia Civil. O mesmo quadro, por vezes esquecido nos debates, existe, em nível de elevada gravidade, na Susepe (Superintendência dos Serviços Penitenciários), que carece de agentes penitenciários, e no IGP (Instituto-Geral de Perícias), onde as perícias ficam em estado montanhoso pela falta de maior número de profissionais, que prestam serviços também para o Ministério Público. Isto, sem olvidar do Corpo de Bombeiros, instituição que está em processo de separação litigiosa da Brigada Militar.


Nestes dias de verão, a Brigada, no policiamento ostensivo, enfrenta a fumaceira da Operação Golfinho, das bestas que surgem na direção de carros, dos eventos carnavalescos, dos jogos do Gauchão, dos parques de Porto Alegre ensolarados e lotados, das trocas de tiros nos chamados Territórios da Paz e dos discursos dos arautos governo a afirmar que todos os espaços estão preenchidos e que para os servidores do rei e aos tementes a Deus nada faltará. Nesta moldura, alcanço entender os profissionais de polícia que se refugiam em desvio de funções. Afinal, o medo é uma das propriedades do ser humano que o conduz, em primeiro plano, à legítima defesa própria.