ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 29 de julho de 2014

OPERAÇÃO FORJADA

ZERO HORA 28/07/2014 | 12h44

por José Luís Costa

Policiais são investigados por roubo de cigarros contrabandeados. Agentes suspeitos são do Departamento Estadual de Investigações Criminais


Imagens da EPTC mostram viatura escoltando caminhãoFoto: Eptc / Reprodução


A Corregedoria-geral da Polícia Civil (Cogepol) investiga o envolvimento de cinco agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) no roubo de 330 caixas de cigarros oriundas do Paraguai, avaliadas em R$ 250 mil.

Por determinação da Chefia da corporação, os policiais estão afastados temporariamente das funções. Os nomes dos agentes e a delegacia em que trabalham não foram divulgados.

Conforme o delegado Paulo Rogério Grillo, da Cogepol, o episódio ocorreu há dois meses, após os cinco agentes descobrirem, por meio de um informante, que uma carga de cigarros contrabandeada tinha sido descarregada em um sítio, em Tapes, no sul do Estado.

A partir daí, os agentes do Deic teriam montado uma operação para simular a apreensão do produto. Foi contratado um caminhão de frete e marcado um encontro em um posto de combustíveis em Tapes. Na manhã de 27 de maio, o motorista do caminhão, o informante e quatro policiais em uma viatura Fiesta prata (sem identificação) seguiram para o sítio.

No local, dois homens foram rendidos, e a carga, encontrada em um galpão, foi colocada no baú do caminhão. Na volta para a Capital, outro policial, em uma viatura Ranger nas cores preto e branco, sem placas, encontrou o caminhão e passou a escoltá-lo pela BR-290.

Por meio de uma informação anônima, a Cogepol começou a investigar o caso e requisitou cópias de imagens para a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e a Concepa (concessionária que administra o trecho da BR-290). As gravações mostraram parte do deslocamento. Pelas imagens, foi possível identificar o prefixo da Ranger, lotada no Deic, e o telefone para contratar fretes estampado na carroceria do caminhão.

A partir daí, a Cogepol descobriu que a carga foi levada para Viamão e localizou os envolvidos. Em depoimentos, os policiais negaram o roubo, mas a versão deles não convenceu a Cogepol.

— Três policiais armaram tudo e envolveram os outros dois. Admitiram que estiveram no sítio para apreender a carga, mas que nada encontraram — afirma o delegado Grillo.

Na última sexta-feira, a Cogepol apreendeu seis das 330 caixas de cigarro na casa do informante dos policiais do Deic no bairro Santo Onofre, em Viamão.

Os cinco policiais e o informante serão indiciados por roubo pela Cogepol. O inquérito será remetido à Justiça de Tapes nos próximos dias.

*Zero Hora