ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

AÍ COMPLICA



CORREIO DO POVO 27/07/2014


OSCAR BESSI FILHO


O Brasil tem cerca de meio milhão de policiais militares. No Rio de Janeiro, são uns 40 mil. A esmagadora maioria desses homens e mulheres passa seus dias e noites atendendo briga de bêbados, maridos que espancam esposas e filhos, arruaças, escaramuças, desastres de trânsito, roubos, ataques, estupros, abusos, egos em choque ou drogados em surto. Trocam tiros e perdem horas sob tensão protegendo patrimônios que sequer podem tocar e pessoas que jamais conhecerão. A esmagadora maioria desses policiais se aperfeiçoa com recursos do próprio bolso, se equipa com seus próprios investimentos, eles que já não recebem lá grandes remunerações. A grande maioria desses PMs dá menos atenção à família do que gostaria e ouve desaforos quase que o tempo todo, e se qualquer celular barato filmá-lo perdendo a paciência por isto, essas coisas de ser humano inadmissíveis a um policial, ele pode perder o emprego.

Mas aí surgem dois rapazes que não têm caráter e a coisa se complica. São filmados dentro da própria viatura cometendo execuções, rindo do seu sadismo doentio, como assassinos frios de adolescentes. Bandido fardado é o pior tipo de gente que pode existir. Vide a ditadura. Ah, se o descontrole do estado e essas leis fajutas precisam revisão, se ninguém aguenta mais tanto roubo e furto feito por adolescentes dominados pelo crack e que infestam as cidades feito praga, é outro assunto. Não é serviço policial fazer ajustes de contas. Por estas, insisto: o que aconteceu no Rio de Janeiro precisa ser muito bem investigado. Isto não é o normal de um PM. No mínimo, estes dois estavam fazendo o serviço sujo para alguém. Talvez para traficantes. Milícias. Talvez até para algum comerciante inescrupuloso, afinal, leiam o livro “O Matador”, de Patrícia Melo, ou assistam ao filme nele inspirado, “O Homem do Ano”. A incompetência da política de segurança pública brasileira, com esta clara sensação de nunca dar nada para ninguém nesta avalanche de crimes que nos vitima diariamente, gera meios lucrativos de se resolver as coisas do jeito que cada um acha melhor, sem muitos escrúpulos. Assim como os linchamentos.

E fica difícil quando esta dupla de péssimos profissionais - e há péssimos em todas as profissões - vira notícia e a generalização bate no universo de tantos outros que, pautando pela correção de atitudes no seu dia-a-dia, apenas cumprem seu papel na sociedade. Quantas ocorrências são corretamente atendidas neste país por PMs? Milhares. Quantas pessoas são salvas todo dia neste país por PMs? Milhares. Quantas vozes contarão com tanta gana e veemência estes acertos todos, invisíveis ao mundo? Bem pouca




Oscar Bessi Filho é gaúcho de Porto Alegre, mas reside em Montenegro/RS. Capitão da Brigada Militar e escritor, escreve crônicas diárias para o Jornal Ibiá, no Vale do Caí, colabora semanalmente com a Folha de São Borja e é colunista dominical na página de polícia do Correio do Povo. Apresentou o “Comentário de Literatura”, aos sábados, na TV Cultura Vale do Caí (RS), durante o Jornal do Meio Dia, em duas temporadas (2005/2008 e 201012). Ingressou na PM gaúcha em fevereiro de 1990, comandou pelotões e companhias de policiamento na zona norte da capital, em Canoas/RS, Estrela/RS e – por cinco anos – naquela que já foi considerada a cidade mais violenta do Rio Grande do Sul: Alvorada. Comandou a Companhia de policiamento da sede do 5º Batalhão da BM, em Montenegro/RS, onde foi um dos fundadores oficiais do MCC (Movimento Montenegro Contra o Crack). Atualmente comanda a companhia de policiamento de São Sebastião do Caí, onde foi Patrono da 14ª Feira do Livro, em 2011. Atua em palestras sobre drogas, movimentos comunitários e oficinas literárias. Foi vice-presidente administrativo da Associação Gaúcha de Escritores na gestão 2008/09 e é diretor de comunicação na gestão 2012/2013.

Livros:
- O Assassinato da Santa (folhetim, 1998),
- Um Morto a Mais (folhetim, 1999),
- As Cartas de Cristóvão (romance, 2000),
- Corra que a Brigada Vem Aí (crônicas, 2003),
- O Outro lado do Caleidoscópio (juvenil, 2008)
- Marx não foi à Praia (crônicas, 2009);
- Calibre 40 (contos, policial, 2010);
- Ah, não viaja! (juvenil, prevenção às drogas, 2011).
- O Lobo do Homem (crônicas, 2012).

Antologias:
- Beco do Crime, contos policiais, 2009;
- Assassinos S/A, contos policiais, 2009;
- Pragmata, poesia, 2008;
- Estação da Cultura, poesia& crônica, 2006;
- O Outro lado da Farda, contos, 2004;
- Habitasul Revelação literária - textos vencedores - 2005, 2004, 2003, 2002 e 2000.
- Acesa Poesia, 1999, 2000, 2001;
- Gente da Casa, poesias, 1998, 1999, 2000;
- Antologia de Poemas Brigadianos, 1993 e 2000;
- Poemas dos Companheiros, poesia, 1998.
- outros.

Jornais e Revistas
- A Semana, Alvorada - 1998 a 2000;
- Aplauso Brasil (SP) - 2004 a 2005;
- Correio Brigadiano, 2002 a 2004;
- O Progresso, 2004 a 2007;
- Fato Novo - 2007 a 2008;
- Jornal Ibiá - 2008 até os dias de hoje;
- Folha de São Borja - 2012 até hoje;
- Correio do Povo, 2010 até hoje.

Programas
- Comentário de Literatura, TV Cultura, 53, de 2005 a 2008 (1ª temporada) e 2010/2012;
- Pauta Livre, TV Cultura, 53, em 2009;
- Rádio Visão, Segurança pública e cidadania, Rádio América, 2007, 2008, 2009, 2010.

Teatro
- A Queima das leis, direção de Jaqueline Pinzón, texto Carmas de Nossas Carnes, de Oscar Bessi Filho - peça 3 vezes amor e morte, vencedora do Prêmio Palcohabitasul Desmontagem Cênica
- Sinal Verde para a Vida - peça apresentada no festival internacional de bonecos;
- Caminho das letras - teatro de bonecos, feira do livro de Porto Alegre, 1996.

Prêmios Literários
- Augusto Meyer de Poesia, 1998;
- Troféu Palavra de Autor, 2005;
- outros.

Unidades em que serviu
- 11 BPM, Porto Alegre;
- 24 BPM, Alvorada;
- 15 BPM, Canoas;
- 5º BPM, Montenegro
- 27 BPM (São Sebastião do Caí).

Cursos
- Curso Superior de Formação de oficiais;
- Pós-graduação em Psicologia Organizacional;
- Especialização em Filosofia de Polícia Comunitária,
- Sociologia da Violência,
- Local de Crime,
- Violência contra a mulher,
- Tráfico Internacional de drogas e armas,
- Crime organizado
- Gerenciamento de Crise, sequestros e Situações de Alto Risco.