ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sábado, 26 de julho de 2014

APENAS AS OMBREIRAS DO ROBOCOPA


ZERO HORA 26 de julho de 2014 | N° 17871

DÉBORA ELY

POLÍCIA. Estado comprará apenas ombreiras do RoboCopa

BRIGADA MILITAR RECEBERÁ equipamentos, adquiridos da empresa que teve o contrato cancelado pelo governo federal porque atrasou a entrega



A Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP) confirmou ontem que está prevista a compra de parte do exoesqueleto – equipamento para proteger policiais – que foi prometido para a Copa. Os trajes completos seriam repassados pela Secretaria Extraordinária para Grandes Eventos (Sesge), ligada ao Ministério da Justiça, mas o governo federal cancelou o contrato com a empresa responsável, alegando atraso na entrega.

O fornecedor será o Centro de Treinamento de Técnicas e Táticas Especiais e Sistemas Integrados de Segurança (CTTE-SIS), que tem sede em Porto Alegre, mesma empresa que havia ficado responsável de entregar os exoesqueletos para 15 municípios do país – incluindo a Capital e as outras cidades-sede da Copa, além de Aracaju (SE), Maceió (AL) e Vitória (ES), onde funcionaram centros de treinamento.

A aquisição dos 3,7 mil itens, porém, foi suspensa, segundo o governo federal, porque o CTTE-SIS descumpriu prazos. A empresa garantiu que os equipamentos foram importados da China e chegaram ao Brasil no período previsto em contrato, mas houve demora na nacionalização da carga. A Sesge estuda a adoção de medidas administrativas devido ao atraso.

INVESTIMENTO PREVISTO É SUPERIOR A R$ 160 MIL

Na quinta-feira, o dono da empresa, Marcos Vinícius Souza de Souza, disse em entrevista a ZH que parte do prejuízo com o cancelamento do contrato para compra dos exoesqueletos seria recuperada porque o CTTE-SIS fornecerá trajes semelhantes a outros Estados que os compraram por contra própria, incluindo o Rio Grande do Sul.

Na SSP, a única licitação na qual consta como contemplado o CTTE-SIS diz respeito à aquisição de ombreiras para a Brigada Militar, peças superiores do exoesqueleto. Logo, os policiais do Estado não terão trajes especiais que lembram o ciborgue americano Robocop dos pés à cabeça.

O processo do governo estadual foi realizado em abril deste ano e prevê a compra de 300 itens. O custo total passa de R$ 160 mil, uma vez que cada ombreira custará R$ 535,83.

– A parte superior protege cotovelo, braços e mãos, e a inferior cobre cintura, coxas, panturrilhas, joelhos e canelas. É que o Estado optou pela compra separada – explica Souza.

A secretaria, por meio da assessoria de imprensa, não confirmou até ontem se existe uma licitação aberta para a aquisição do restante do exoesqueleto.