ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

PROTESTO POR MAIS POLICIAIS

 Concursados da BM, da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros protestam em Porto Alegre Adriana Franciosi/Agencia RBS

ZERO HORA 29 de janeiro de 2016 | N° 18429


JULIANA BUBLITZ


CRISE NA SEGURANÇA

FUTUROS POLICIAIS MILITARES, civis e bombeiros que aguardam para serem convocados fizeram manifestação



Cansados de esperar pelo governador José Ivo Sartori, um grupo de aprovados em concurso público para Polícia Civil, Brigada Militar e Corpo de Bombeiros se reuniu para protestar, ontem, na Capital. No total, 3 mil pessoas esperam convocação desde o fim de 2014.

A manifestação foi na Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini, com churrasco coletivo. Em faixas e cartazes estendidos nas árvores, a indignação tinha frases com dizeres como “economizar na segurança custa vidas” e “enquanto Sartori navega no Caribe, a população fica à deriva”, em referência às férias do governador.

– O objetivo é chamar a atenção para efetivar os aprovados imediatamente. A situação é gravíssima. Nunca a segurança pública viveu crise tão grande no Estado – adverte o vice-presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia, Fábio Castro.

O sindicalista diz que, para atuar como policiais civis, 661 pessoas esperam convoção – sendo que 72 delegacias de polícia do Estado, conforme a entidade, têm com apenas um escrivão ou inspetor e outras 144, dois. O número de aprovados é insuficiente para resolver a crise, mas, na avaliação dos manifestantes, ajudaria a amenizar a sensação de insegurança.

– Em 2015, tivemos 490 baixas, entre aposentadorias, mortes, exonerações e demissões. Só isso já comprova a necessidade de convocação – diz André Gonçalves, 30 anos, um dos selecionados.

Além dos 661 aprovados para atuar na Polícia Civil, há outros 2,5 mil na expectativa por vagas no Corpo de Bombeiros e na BM. Todos precisam passar por cursos preparatórios antes de começar a trabalhar, o que leva pelo menos seis meses.

O presidente da Associação de Bombeiros do Estado (Abergs), Ubirajara Ramos, afirma que 200 integrantes da corporação se aposentaram desde 2015 e não foram substituídos. Ele também reclama que, desde julho de 2014, após a separação formal da BM, três leis para regulamentar a atuação dos socorristas estão “paradas”.

– Falta gente, estrutura e viaturas. A emissão e a fiscalização de alvarás está prejudicada, assim como o combate a incêndios. São 400 municípios que nem sequer têm bombeiros – alerta Ramos.

Na BM, não é diferente. O presidente da Associação dos Cabos e Soldados (Abamf), Leonel Lucas, lembra que, por lei, o efetivo da corporação deveria ser de 36 mil PMs. Hoje, segundo o Comando da BM, são 21 mil.

– Só em 2015, tivemos 2,1 mil aposentados. Sem recursos humanos, não temos como fazer frente à violência – diz Lucas.


A POSIÇÃO DO GOVERNO
Em entrevista a ZH no início do ano, o govenador José Ivo Sartori disse que avalia a possibilidade de convocação, embora a falta de recursos do Estado seja empecilho.
– Estamos estudando isso com tranquilidade e serenidade, avaliando o quadro. Mais cedo ou mais tarde, isso terá de ser feito. Agora, é evidente que isso precisa de condições. Como é que vou colocar alguém pra trabalhar aqui se eu não consigo pagar quem está em atividade? – questionou à época.
Na segunda, a ZH, José Paulo Cairoli, o governador em exercício seguiu o raciocínio:
– Não é simplesmente contratar novos ou mais policiais. Está na nossa meta. Teremos avanços nos próximos meses.