ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

MIL PMs A MENOS EM UM ANO



ZERO HORA 11 de maio de 2015 | N° 18159



POLÍTICA + | Juliano Rodrigues




Não é por acaso que a sensação de insegurança tem aumentado nos últimos meses no Rio Grande do Sul. Um fato que tem contribuído para a onda de episódios violentos, com uma série infindável de ataques a bancos, assaltos e latrocínios à luz do dia, é a redução do número de policiais militares no Estado. A falta de reposição para aposentadorias e exonerações de policiais militares devido à suspensão das nomeações por meio dos decretos de cortes de gastos representou, para o já defasado efetivo da Brigada Militar, a perda de quase mil brigadianos em um ano. Em junho do ano passado, a corporação contava com 22.450 pessoas. Agora, são 21.507, 943 a menos, sendo 433 desde janeiro.

Amarrada pelos decretos do governador José Ivo Sartori, a Secretaria da Segurança Pública não pode assinar as nomeações dos mais de 2,5 mil policiais militares e bombeiros aprovados no último concurso. A resposta do governo para amenizar a redução de efetivo é historicamente a mesma: PMs que atuam em funções administrativas serão deslocados para o policiamento ostensivo. O problema é que essa medida parece ser inócua, já que a população não observa aumento da presença da BM nas ruas.

Não é segredo para ninguém que a crise financeira, que tem exigido uma ginástica financeira do Estado para manter os salários em dia, afeta todos os setores do serviço público. Porém, o que ainda não está claro é a estratégia do governo para melhorar algumas áreas, entre as quais, a segurança.

No sábado, durante o ato do Dia D de Mobilização da Vacinação contra a Gripe, Sartori foi questionado sobre o assunto pela repórter Maria Eduarda Fortuna, da Rádio Gaúcha, mas se esquivou de responder. Mandou a jornalista conversar com o secretário Wantuir Jacini e saiu rapidamente do local do evento. A reação do governador, além de incompatível com a postura de um líder em meio a um momento de crise, repete o seu comportamento durante a campanha eleitoral, quando foi evasivo sobre propostas.


ALIÁS

O Rio Grande do Sul está próximo de, pela primeira vez em sua história, ter mais policiais militares aposentados do que na ativa. Atualmente, são 21.507 PMs trabalhando e um total de 21.318 inativos.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Não é a aposentadoria a maior causa da ausência de efetivos policias das ruas para ocupar todos os espaços de demanda pelo direito à justiça e segurança pública. As principais causas estão na falta de contratação de mais policiais, na evasão devido aos baixos salários e nos desvios de policiais da atividade fim e razão de ser da Brigada Militar para outras atividades, inclusive federais, prisionais, judiciais e políticas. Outras razões podem ser de descaso para com os riscos, estresse e dedicação exclusiva da atividade policial; de uma gestão que prioriza o atendimento de ocorrências e a resposta por guarnições motorizadas fortificadas  em detrimento do policiamento preventivo; e de não empregar o quadro da reserva em atividades administrativas, de instrução e de planejamento estratégico.