ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 9 de junho de 2015

CHAMAR O BATMAN É O MENOR DOS PROBLEMAS

ZERO HORA 08/06/2015 - 15h36min


"A respostinha malcriada do tenente-coronel é o menor dos problemas". Francisco Vieira, do 9º Batalhão da Polícia Militar, ironizou relato de assaltos na Redenção: "Que chamem o Batman"

Por: Caue Fonseca, especial*




Serenata Iluminada propõe ocupação da Redenção à noite, como aconteceu diversas vezes, entre elas em abril (na foto) e no último sábado Foto: Félix Zucco / Agencia RBS


Esta comparação não poderia vir em melhor hora.

Observem a declaração do Victor R. R. Mendes na matéria publicada no Caderno Proa ZH de domingo, sobre a teimosia dos porto-alegrenses de retomar as ruas e os parques da própria cidade:

– Uma coisa que aprendi é que, se você não tomar a rua, tomam ela de você. É claro que não vai ter segurança: por que a polícia vai passar ali se está todo mundo com medo trancado em casa? Ocupar a rua é também uma forma de tirar o poder público da zona de conforto. De obrigar ele a te dar segurança.

E agora a do tenente-coronel Francisco Vieira, do 9º Batalhão da Polícia Militar, sobre os assaltos em justamente um desses eventos citados na primeira matéria:

“Quem frequenta esse tipo de evento não quer BM perto. Agora aguentem! Que chamem o Batman! Ou o Super-Homem. (…) Gente do bem está em casa agora! Então que saiam dali. Eu não aconselho a ficar ali. Até porque se eu mandar uma viatura lá, com dois PMs, serão hostilizados.”

A resposta oficial da BM é que aquela não era a resposta oficial da BM. Só que a respostinha malcriada do tenente-coronel é de longe o menor dos problemas aqui. Há uma visão de mundo que precisa ser urgentemente desentortada.


Primeiro é achar que a Brigada Militar só precisa dar segurança para quem gosta dela. Lamento, amigos. Por mais hostilizada que a BM viesse a ser, segue sendo obrigação dela dar segurança para todo mundo. Torcida organizada também odeia a BM, e a polícia faz acordo com ela todo Gre-Nal e dá até escolta pela cidade.

Outro equívoco, já na resposta oficial, é dizer que bastaria acionar o 190 ali na Redenção para ser atendido normalmente. Nem o 190 nem o Batsinal, comandante. O simples agrupamento de pessoas e a possibilidade evidente de assaltos já recomendaria uma viatura por aquelas bandas.

Por fim, sobre os participantes “não quererem a Brigada por perto”. Eu também não quereria se para ela o vagabundo criminoso é sempre eu. Se os servidores públicos fardados frequentassem esse tipo de evento para servir ao público, aposto que seriam um pouco mais queridos por ele.

E só mais um PS: no mínimo uma dupla de brigadianos nas imediações da Serenata Iluminada está sempre confirmada. Ela fica ao lado do guincho do Detran, no Balada Segura. Quando é para arrecadar dinheiro nunca falta efetivo.

*Jornalista