ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

PROFISSÃO DE RISCO - BANDIDOS VOLTAM A CAÇAR PMS NO RIO


ATAQUES EM SÉRIE. Bandidos voltam a caçar PMs no Rio - O Globo, Repórter de Crime, Jorge Antonio Barros. 23/11/2010

A única evidência de que os novos ataques do tráfico tenham o objetivo de propaganda são as ordens que partiram da penitenciária de Catanduvas - para onde foram enviados os chefes do crime há cerca de quatro anos, justamente no início do governo Cabral. No entanto, parece não haver mais dúvidas de que a intenção dos bandidos é disseminar o pânico por meio de ações relâmpago, com arrastões e incêndios de carros de passeio, nos quais o motorista é o principal alvo. O sinal de que a violência visa intimidar o Estado é que os policiais militares voltaram a ser caçados pelos criminosos, como ocorreu no final de 2006. Só ontem duas cabines da PM foram metralhadas e hoje em Araruma dois policiais militares foram mortos numa emboscada. Em muitos arrastões, os bandidos procuram como loucos se há policiais entre os motoristas assaltados. Na Via Dutra, ontem à noite, os criminosos cismaram que um motorista era policial e ameaçavam matá-lo.

Como se vê é a total inversão de valores. Em vez de caçados, os bandidos é que estão caçando os policiais. Isso me faz lembrar um velho ditado da infância: quem não faz, leva.

Se a resposta do governo não for firme e rápida, os grupos clandestinos mais violentos da polícia podem vir a se unir e partir para o revide, com o risco de inocentes serem mortos em favelas e se manchar de sangue os esforços do poder público para os grandes eventos esportivos previstos para o Rio, como os Jogos Militares, no ano que vem. Fato é que as ações do fim de semana já estão alterando os hábitos dos cariocas e desestimulando a chegada de estrangeiros. Uma fonte da área da saúde me informou que três consultores da OPAS e da OMS desistiram de continuar no Rio, onde estavam trabalhando pela liberação de mais de U$ 200 milhões para programas de saúde. Eles ficaram chocados com as imagens de carros incendiados na Linha Vermelha, no domingo à tarde.

Apesar disso, outra fonte, da área de segurança, está convencida de que a situação é crítica, mas não há motivo para pânico. "Trata-se de um grupo de baderneiros que aproveitou o relaxamento das operações policiais em favelas após a morte de um menino num Ciep", diz a fonte, destacando que a medida coincidiu com o período pré-eleitoral. Para evitar algum desastre junto à opinião pública, as operações em favelas passaram a ser centralizadas pelos dois chefes das polícias, desde agosto deste ano. O discurso do PPP (Pau, PAC e Porrada) foi substituído pelo dos investimentos no policiamento de proximidade, também conhecido como policiamento comunitário.

Como disse ontem, a situação exige interação total de todos os organismos de segurança em todas as esferas de governo. Diagnóstico rápido, planejamento instantâneo e ação terão que estar na receita óbvia a ser empregada pela Secretaria de Segurança, se quiser obter êxito no combate ao crime. Para isso vai precisar investir mais em inteligência e ocupar permanentemente os locais considerados mais vulneráveis, assim como ocorreu com a política de pacificação de favelas. Se já existem 12 UPPs que colocaram a polícia de modo permamente nos morros, já está passando da hora de se ocupar da mesma forma vias expressas que garantem o direito de ir e vir livremente, com segurança. O grande desafio é o déficit de policiais e a ausência de uma polícia de policiamento das ruas. Beltrame tem se esforçado mas, em quatro anos, só conseguiu levar de volta à PM metade dos 5 mil policiais cedidos a outros órgãos. Ontem eu soube que há 300 policiais que trabalham como motoristas de comandantes de unidades da PM.

Nesse contexto, o poder público vai receber grande contribuição do Disque-Denúncia (2253-1177), que desde a semana passada criou uma força-tarefa para analisar o modus-operandi, os locais e os principais suspeitos de estarem à frente das quadrilhas que tentam dominar o asfalto. São informações essenciais para a Secretaria de Segurança fazer o diagnóstico necessário para enfrentar com inteligência e precisão a nova emergência.