ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

MAIS 500 BRIGADIANOS NAS RUAS


ZERO HORA 26 de setembro de 2016 | N° 18644


DAVID COIMBRA



É bom escrever sobre filho pequeno. Você escreve sobre seu filho pequeno e o leitor apita. Uóóó...

O cronista que consegue fazer o leitor apitar é o cronista realizado.

O problema é que essa fórmula só funciona até a adolescência. Chega a adolescência e seu filho vira petista. Todo adolescente é petista e todo petista é adolescente. Ninguém vai fazer uó para um petista.

Eu, por enquanto, ainda posso explorar meu filho. Ele está com nove anos de idade. Mas agora deu para fazer o que nunca tinha feito: acorda-se no meio da noite e vai para a cama dos pais. Uma chatice.

Ontem, no café da manhã, ao comentar a respeito, reclamei:

– Quando tu era pequeno, tu não sentia medo de dormir sozinho!

E ele, depois de respirar fundo, argumentou:

– Naquela época, eu não sabia como era o mundo...

Não fiz uó. Suspirei de resignação. A culpa é minha, por ter deixado que ele assistisse ao Jornal Nacional.

Meu filho sente medo da violência urbana DE PORTO ALEGRE. E ele vive em um lugar a 8.300 quilômetros de distância, em que foi registrado um único assassinato nos últimos 10 anos.

É a globalização. O mundo está realmente interligado.

Conto isso para repetir o que tenho dito: resolva o problema de segurança pública no Brasil e 70% dos problemas estarão resolvidos. Com segurança, todo o resto ficará mais fácil. E é claro que segurança não é apenas polícia na rua. Polícia na rua é parte da solução – só que parte fundamental.

Portanto, vou insistir: a Brigada poderia, sim, fazer o trabalho dos agentes de trânsito, os azuizinhos, o que daria maior sensação de segurança à população.

Foi o que escrevi no fim de semana, e recebi grande apoio. Mas também recebi contestação. Entre elas, a do coordenador de comunicação da EPTC, o muito competente e muito afável jornalista Cláudio Furtado. Ele me escreveu um e-mail respeitoso e esclarecedor. Reproduzo abaixo:

“Perguntaste, na tua coluna de ZH, ‘para que serve o azulzinho’. Respondo: antes de tudo, para ser respeitado como uma autoridade civil, sem arma na cintura, com a missão de reduzir a acidentalidade a partir da aplicação das leis do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Sua presença nas ruas não impede, e até facilita, as ações da Brigada Militar nas questões da segurança pública. EPTC, BM e Polícia Civil realizam diversas ações conjuntas, como as atividades do Balada Segura, mas cada entidade de acordo com suas atribuições.

Gostaria de lembrar, também, que além dos 500 agentes, entre os mil funcionários da EPTC estão arquitetos, engenheiros, advogados, técnicos especializados em planejamento do trânsito e transporte, também na implantação e manutenção do mobiliário urbano e da sinalização da cidade, além de administrativos, todos concursados. Realizam atividades diárias no gerenciamento da mobilidade”.

A correspondência do Cláudio reforçou minha convicção. Sou pela manutenção da EPTC, com seus funcionários de burocracia e de administração. E pela incorporação da Brigada às tarefas de vigilância do trânsito. É só treinar o brigadiano. Imagine Porto Alegre com 500 brigadianos a mais nas ruas. Seria quatro vezes mais do que o efetivo enviado pela Força Nacional de Segurança. Não seria a solução, sei bem. Mas ajudaria, e muito. Tudo para que os gauchinhos não sintam mais medo à noite.


24 de setembro de 2016 | N° 18643


DAVID COIMBRA


Para que serve o azulzinho 
 

Se o Google não me iludiu, e o Google é como uma mulher, que ilude e negaceia, mas se desta vez não me iludiu, a EPTC tem 1.117 funcionários.

Toda essa gente, claro, não fica apenas cuidando do trânsito. A EPTC cumpre várias funções, que sei.

Mas nem todas as cidades do mundo contam com órgãos similares à EPTC. Aqui onde moro, por exemplo, quem controla o trânsito é a polícia.

O policial fica na esquina, observando o tráfego. De repente, se acha que as pessoas estão tempo demais na calçada, esperando para atravessar a rua, ele simplesmente invade o leito por onde passam os carros, ergue um braço e manda todo mundo parar. Todo mundo para sem reclamar. É ele quem decide. Faz parte de sua autoridade.

Outro dia, vi um parar um carro. O motorista tinha feito algo errado, não sei o que foi. Sei que o policial passou-lhe uma descompostura tão feroz, que deixou a mim envergonhado, eu, que estava só assistindo. O cidadão reagiu com humildade. Baixou a cabeça, disse “yes, officer” e foi-se embora ganindo baixo. Os policiais são respeitados – se alguém os confronta, eles o derrubam, põem o pé em seu pescoço, algemam-no e o levam preso.

Esse policial que está vigiando o trânsito vigia também as ruas, as pessoas e o comércio. Se alguém quiser fazer algo errado, não fará perto desse policial. Talvez fizesse, se em seu lugar houvesse um agente de trânsito.

Então, pergunto:

Será que Porto Alegre não seria uma cidade mais segura se os mais de mil funcionários da EPTC trabalhassem na Brigada Militar?

Será que os candidatos a prefeito de Porto Alegre não poderiam pelo menos cogitar essa possibilidade?

O que você prefere ter diante da sua casa: um azulzinho ou um PM?

Responda, por favor.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - A Constituição do RS determina no seu Art. 132 que os serviços de trânsito de competência do Estado serão realizados pela Brigada Militar, mas como ninguém neste país respeita, defende e faz cumprir as leis, o trânsito é uma terra de ninguém e o policiamento preventivo realizado pela BM desapareceu por omissão dos legisladores e leniência dos guardiões da lei, coniventes com o descaso e negligência dos governantes que sucatearam os efetivos policiais e desviaram de finalidade o pouco que tinham para atender interesses partidários nocivos à segurança da população. Defendo a retomada do trânsito pela Brigada Militar, o que obrigará o Estado a realizar concursos e nomear mais policiais para que o policiamento ostensivo preventivo ocupe as ruas e bairros das cidades, atuando no trânsito, na preservação da ordem pública e como função essencial à justiça, todas atribuições de uma polícia ostensiva preventiva, forte, visível, presente e próxima da população.