ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

FILIPINAS DO SUL

Resultado de imagem para filipinas morte traficantes


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - A impunidade é sim fonte de alimentação do crime, pois, além de manter livre e facilitar a soltura do criminosos, intensifica a ousadia do crime porque "não dá nada e se der é pouco", estimula os criminosos a atirar para matar policiais e vítimas, e aumenta a intolerância, o estresse e o medo nos policiais e pessoas das comunidades causando uma reação também letal contra os criminosos. É uma relação de causa e efeito da violência. Há uma guerra nas ruas direcionando bandidos contra bandidos, bandidos contra suas vítimas e bandidos contra os policiais, Os policiais já se prepararam em grupos para os enfrentamentos onde o risco de morrer é bem maior diante de criminosos com arsenais de guerra e táticas de guerrilha urbana. Os números de mortes de civis e de policiais é o resultado desta guerra que não está tendo limites nas leis e na justiça. Gostaria de ver reduzido o número de mortes em confrontos, mas é preciso que o Estado pare de alimentar os delitos e passe a coibir a "violência do crime", fortalecendo as leis, a justiça e o poder da polícia democrática, garantindo direitos, punindo o delito e intimidando os criminosos a não atentarem contra policiais que são agentes do Estado.




ZERO HORA 19 de setembro de 2016 | N° 18638



RODRIGO GHIRINGHELLI DE AZEVEDO*



No último dia 13 de setembro, foi divulgado pela Defensoria Pública do RS o crescimento da ordem de 100% do número de denúncias de violência policial no período de janeiro a junho de 2016, em relação ao mesmo período do ano anterior. Dois dias depois, Zero Hora publica matéria que mostra o crescimento das mortes em confronto com a Brigada Militar, no mesmo percentual.

Entrevistado, o comandante da Brigada Militar não se impressiona, e defende seus comandados. Não se ouve, por parte dos representantes da corporação, nenhuma palavra no sentido de que haverá maior preocupação com o cumprimento de protocolos que permitam controlar de forma mais eficiente a violência policial.

Se poderia argumentar que esta é uma reação corporativa, e que governo do Estado e demais órgãos responsáveis pela fiscalização e controle da polícia irão atuar diante deste verdadeiro descalabro. Mas não é o que se percebe. O governo já deu o seu recado, condecorando policiais que mataram em confronto, sem que uma apuração rigorosa do caso tivesse ocorrido. Mas chama ainda mais atenção o silêncio do Ministério Público, órgão constitucionalmente responsável pelo controle da atividade policial. Quais providências estão sendo tomadas para cobrar da Brigada Militar padrões mais rigorosos de atuação, que impeçam o uso excessivo da força?

Se o problema fosse a “impunidade”, a violência policial deveria estar crescendo em todos os Estados. Mas não é o que se verifica, e polícias que atuam de forma mais profissional, fazendo mais abordagens, têm obtido mais sucesso na prevenção ao crime e na redução da violência.

Há alguns meses, ficamos sabendo que o presidente das Filipinas havia orientado as polícias locais a matarem supostos traficantes, produzindo um verdadeiro banho de sangue no país. Diante dos números recentes de mortes em confronto e de denúncias de violência praticadas pela Brigada no RS, podemos reivindicar a mudança de nome de nosso Estado para “Filipinas do Sul”. A pergunta é se isso irá produzir alguma reação, ou teremos de assistir à conivência de governantes e demais autoridades com a violência policial.

*Sociólogo, professor da PUCRS e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública