ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

EM DIFICULDADE FINANCEIRA PM TENTAR ASSALTAR LOTÉRICA



ZERO HORA 09 de abril de 2015 | N° 18127

JOSÉ LUÍS COSTA

Sargento da BM tenta assaltar agência dos Correios e é preso

COMANDANTE DA BM LOCAL, Elton Bilinski foi gravado em ação por câmeras de segurança e acabou descoberto quando soldados encontraram uma bolsa com material utilizado por ele para o ataque


Uma sequência de trapalhadas levou para a cadeia o sargento da Brigada Militar Elton Antônio Bilinski Sbardelotto, 46 anos, após tentativa de assalto a agência dos Correios de Guabiju, município de 1,6 mil habitantes na serra gaúcha. Comandante do grupamento da BM na cidade, que fica na mesma rua e a cem metros do prédio dos Correios, o sargento foi preso depois que uma bolsa dele foi encontrada atrás do quartel com objetos utilizados para render funcionários da agência.

Câmeras de vigilância registraram o ataque. O sargento foi capturado por colegas e, em conversa informal com oficiais superiores, confessou a autoria do crime. Entretanto, em depoimento à Polícia Federal de Caxias do Sul, onde foi autuado em flagrante por roubo, Bilinski evitou falar.

A invasão à agência ocorreu por volta das 8h40min de terça-feira. Um homem com máscara de borracha cobrindo o rosto, vestindo casaco azul, calça e tênis preto, com um revólver e uma bolsa nas mãos, imobilizou um servidor que atendia no balcão.

O funcionário foi obrigado a deitar no chão de bruços e teve os punhos amarrados com lacres plásticos. Em seguida, o assaltante mandou a gerente dos Correios abrir o cofre. Nervosa, a mulher errou a digitação da senha, e a fechadura bloqueou. O mascarado desistiu do roubo e fugiu.

Alertado por gritos das vítimas, um soldado da BM que mora no mesmo prédio dos Correios, saiu à rua, procurando pelo ladrão. Em minutos, o soldado encontrou seu chefe imediato, o sargento Bilinski. De folga e à paisana, ele teria dito que já sabia do assalto – surpreendendo o soldado – e contou que perseguiu o ladrão por um matagal que fica próximo ao quartel, mas o bandido conseguira escapar em um carro escuro.

A versão divergia da relatada por transeuntes, que afirmavam ter visto no local apenas Bilinski. Dois PMs iniciaram buscas pela região e localizaram uma bolsa em um galpão atrás do terreno do quartel. Dentro, encontraram roupas, máscara, arma, lacres plásticos, uma placa bocal – possivelmente para alterar o timbre de voz – e um par de tênis. De pronto, os PMs reconheceram a bolsa e o calçado como sendo semelhantes aos que o sargento Bilinski usava quando ia jogar futebol com os colegas.

DIFICULDADES FINANCEIRAS SERIAM MOTIVO DO CRIME

O major Álvaro Martinelli, comandante do 3º Batalhão de Policiamento de Áreas Turísticas, responsável pela região, foi chamado a Guabiju. As suspeitas contra Bilinski cresceram com análise das imagens das câmeras da agência, revelando que os objetos apreendidos eram iguais aos usados pelo ladrão. PMs foram à casa do sargento que, ao ver os colegas, teria dito:

– Já sei, vieram me prender.

No quartel, Bilinski fez um desabafo. Contou ao major Martinelli que enfrenta dificuldades financeiras, já com ordem de despejo da moradia, sofre de depressão e que um dos três filhos tem sérios problemas de saúde.

– O clima é de consternação. Até então era um profissional dedicado, acima de qualquer suspeita. Alguns colegas choraram – lamentou Martinelli.

Bilinski é policial militar desde 1986, e trabalha em Guabiju há 24 anos. Ontem pela manhã, ele foi recolhido ao Presídio Policial Militar, em Porto Alegre.