ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

OS ABUSOS DA POLÍCIA E AS CORREGEDORIAS VIRTUAIS



DIÁRIO GAÚCHO 05/10/2015 | 21h14


Carlos Etchichury


Editor-chefe do Diário Gaúcho fala sobre cartilha lançada por uma ong contra a violência policial


Em comunidades submetidas à violência policial, smartphones tornaram-se corregedorias virtuais. Com uma vantagem: quando moradores gravam, em vídeo, abusos praticados por policiais e os enviam para a imprensa, a punição dos maus servidores é quase sempre imediata – sem a burocracia que alimenta a impunidade.

O caso mais recente do uso do celular ocorreu no Morro da Providência, no Rio. Após executar um adolescente (suposto traficante), um PM colocou uma pistola na mão direita do jovem e disparou duas vezes para o alto. Com o enxerto da arma, o soldado, que integrava a UPP da Providência e estava acompanhado de outros quatro colegas, reforçaria a tese de legítima defesa. Afinal, quem contesta a morte de um adolescente que atira contra PM?

A farsa só não vingou porque um morador, usando um celular, filmou a tramoia e a enviou para a imprensa. Em nome da lei, as polícias mataram, no ano passado, em todo país, pelo menos 3.022 pessoas – média de oito casos por dia. É gente suficiente para lotar 15 aviões Airbus A-300, idênticos àquele que caiu em SP, em 2007.

Abusos em áreas de periferia são tão frequentes que, em abril, a ong Witness (Testemunha, em tradução livre) lançou a cartilha “Como filmar violência policial na favela com celular”, com apoio das organizações Advogados Ativistas e Artigo 19.


A entidade norte-americana capacita e ajuda “pessoas a usarem o vídeo na luta por direitos humanos”. A cartilha, didática, tem sete itens:

1) filme na horizontal (qualidade é melhor);

2) filme detalhes (fardas, rostos);

3) chame outras pessoas para filmar (quanto mais vídeos, melhor);

4) envie para alguém (é bom ter cópia);

5) registre local e hora (placas de rua, relógios);

6) exerça seu direito de filmar (é uma garantia constitucional);

Por fim, mas não menos importante, 7) se não sentir segurança, não filme (avalie todos os riscos).


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - As pessoas devem sim exercitar seus direitos e não aceitar que seus protetores abusem do ofício policial se transfomando em truculentos, bárbaros e justiceiros para denegrir a imagem da corporação, abalar a confiança da população nos policiais honestos, competentes e dedicados, desviar a finalidade social e duvidar da essência de segurança e de justiça que a atividade policial exerce na sociedade. Deveriam fazer o mesmo contra os bandidos que submetem as comunidades, colaborando com a polícia e com a justiça na garantir a ordem pública, mas num país da impunidade onde os bandidos são soltos facilmente e dominam os presídios, quem se atreve a fazer isto?