ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

O BOICOTE DA POLÍCIA




ZERO HORA 11 de agosto de 2015 | N° 18256



EDITORIAL




As notícias sobre o recrudescimento da criminalidade no Estado ganham relevância no momento em que parte dos policiais civis e militares, revoltados com o atraso de seus salários, recusa-se a atender a população e a divulgar informações sobre suas atividades. Trata-se de uma afronta ao cidadão que continua pagando seus impostos para ter um mínimo de proteção por parte do Estado. Por mais que se entenda a situação de servidores que não recebem em dia, não há como compactuar com reações desse tipo, provocadas por decisões de lideranças e muitas vezes em desacordo com a posição dos próprios subordinados. Sonegar serviços essenciais, como forma de provocar algum tipo de reação do governo, é uma estratégia pouco inteligente.

Os efeitos de tal postura são bem conhecidos. O primeiro e mais visível é o prejuízo de quem tem alguma demanda com o setor de segurança. Mas o dano maior atinge a todos, direta e indiretamente, pelo clima de desproteção e pelo sentimento de que a sociedade não pode contar com os que deveriam protegê-la. Os delinquentes sabem tirar proveito de momentos como esse, como se revela na sequência de eventos claramente relacionados com a percepção geral de que a ausência de policiais nas ruas, cuja atuação já era deficiente, por falta de quadros, agravou-se nos últimos dias.

Não será pela omissão que os policiais, e quaisquer outras áreas do funcionalismo, conseguirão sensibilizar a população e as autoridades para o atendimento de seus apelos. Uma causa justa não pode conduzir à armadilha de transformar servidores públicos em cúmplices do medo e da insegurança.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Título equivocado. Visão distorcida. O boicote não foi da polícia, mas do governo que cortou verbas e salários das forças de segurança pública, levando a uma forte reação dos familiares, da população e das associações de classes dos policiais.  A polícia ainda foi às ruas, continuou investigando e prendeu bandidos. O quadro se agravou mais pelos corte do governo do que pela insatisfação dos policiais. E o aumento da criminalidade é patrocinada por leis permissivas aprovadas pelos legisladores, por uma justiça leniente avalizada pelas autoridades de justiça, e por uma execução penal irresponsável que tem a conivência dos poderes, a negligência do Executivo, a morosidade do judiciário e omissão dos órgãos da execução penal.